Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Fundação Futura quer "imaginar, construir, desenhar" o amanhã no feminino, diz Graça Fonseca

Graça Fonseca. Foto da Fundação Futura

Fundação Futura quer "imaginar, construir, desenhar" o amanhã no feminino, diz Graça Fonseca

6 de agosto de 2026

A Fundação Futura nasceu de uma “conversa sobre a crise da habitação” em Portugal e quer “imaginar, construir, desenhar” o amanhã, no feminino, explica à Lusa a cofundadora e ex-ministra da Cultura Graça Fonseca.

“[A Futura] é criada a partir da identificação de um grande desafio do país, a partir de uma conversa inicial sobre a crise da habitação no país, e até mais especificamente, na altura, em Lisboa, nas grandes cidades. [...] Se pensarmos em Portugal em 2050 ou em 2070, quais é que são os grandes desafios que nós temos para enfrentar?”, disse Graça Fonseca, em entrevista à Lusa.

A “directora executiva para a imaginação” juntou-se a um casal de norte-americanos, Glenn Barnes e Ruth Saber, e assentaram na Rua da Emenda, em Lisboa, um prédio onde esperam acolher, em breve, “mulheres extraordinárias”, até aos 35 anos, que ali poderão viver até um ano, com acesso a mentoria, parceiros e “uma camada sempre transversal, que é o futuro e a imaginação”, estando esta ‘fellowship’ residencial aberta a pessoas que podem trabalhar em qualquer área, “no teatro ou em astrofísica”.

A fundação chama-se Futura porque é crença do projecto “que o futuro é feminino”, e nele assentar “ferramentas para fazer a literacia do futuro, aliás considerada pela UNESCO uma das capacidades críticas para o século XXI”.

“Nós estamos sempre muito focados no presente. Porque a vida contemporânea é assim, os ciclos governativos são muito curtos, os ciclos das organizações são muito curtos. Vivemos oficialmente, permanentemente, neste tempo presente. É muito difícil imaginarmos o futuro, porque na verdade muitas vezes nem sequer temos tempo. Na nossa perspectiva, é importante mudar esta maneira de olhar para a nossa vida”, acrescenta.



Este “contributo pequeno” quer levantar “algo colectivo, apropriado pelas pessoas, por movimentos, organizações, para dar soluções diferentes”

A ex-ministra da Cultura, cargo que ocupou entre 2018 e 2022 em governos do Partido Socialista (PS), descreve o projecto como “uma comunidade que apoia mulheres de talento”, a trabalhar temas que vão da habitação ao ambiente, “entre todos os outros”, mas também de ser um local “onde o conhecimento, o que já existe, pode ser uma referência”, seja pelos exemplos de outros países ou com a criação de uma “plataforma onde as boas soluções, com os respectivos resultados já produzidos”, são divulgados.





“Às vezes, as pessoas lidam com o tema do futuro como ficção científica, mas não é”, e “ideias que parecem disruptivas hoje têm um tempo de maturidade social de 10 anos”, referiu, mas se “a mudança é difícil e há um período de maturidade social para ela”, é preciso “imaginar e começar a construir hoje” para se poder colher esses frutos mais tarde.

Além de uma revista literária (The Lisbon Literary Review), a Futura tem já em curso um ‘podcast’ e uma ‘Máquina do Tempo’, que começou no Porto, em Julho, imaginando a cidade em 2050 com mais de uma dezena de pensadoras, seguindo-se nos próximos meses Coimbra, Évora e Lisboa, para aproximar o futuro dos dias de hoje e relevar “a importância da participação das pessoas, para que tenham a convicção de que o que fazem importa”.



Graça Fonseca, socióloga e ministra da Cultura de 2018-2022.



“De que maneira conseguimos que imaginar o futuro não seja, na cabeça das pessoas, um tema da ficção científica? Que participar na construção desse futuro não seja uma utopia, mas algo real? Acredito que a melhor forma que temos de trabalhar para que o futuro não seja aquilo que hoje, no presente, nós tememos que possa acontecer é imaginarmos soluções diferentes, menos cinzentas, mais verdes, que envolvem todas as pessoas”, comenta.

Este “contributo pequeno” quer levantar “algo colectivo, apropriado pelas pessoas, por movimentos, organizações, para dar soluções diferentes”, como as portas automáticas saíram da ficção científica, lembrando Graça Fonseca a série “Espaço:1999”, de 1975, em que as pessoas também falavam para os seus relógios de pulso, como hoje fazem com ‘smartwatches’.

“Nós não somos distópicos nem utópicos. A nossa perspectiva é sempre positiva, e por isso trazemos a arte e a magia para esta missão. Porque acreditamos que o que nós temos de dar às pessoas não é o fim do mundo. O que temos de dar às pessoas são as possibilidades infinitas que temos à nossa frente para construir algo diferente do fim do mundo”, atira.

Para evitar um amanhã que seja negro, face à emergência climática e outras crises que afetam actualmente o mundo, “é preciso federar vontades”.

“Mas é possível lá chegar, não é uma utopia. Tem resultados na vida das pessoas. Para isso, é preciso saber se estamos todos disponíveis para querermos lá chegar, o que significa melhorar a vida das pessoas. No fim do dia, é sobre isso que estamos sempre a falar”, remata.

Lusa/DI