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Espanha aposta na inteligência territorial para gerir pressão turística

18 de agosto de 2026

Espanha prepara-se para mais um Verão de números recorde no turismo, mas o crescimento da actividade começa a colocar uma nova questão no centro do debate: Como gerir o sucesso turístico sem comprometer a qualidade de vida das populações e a experiência dos visitantes?

As previsões apontam para cerca de 43 milhões de turistas internacionais entre Junho e Setembro, com uma despesa turística superior a 64 mil milhões de euros. Perante esta dimensão, várias regiões e municípios espanhóis estão a recorrer a ferramentas de inteligência territorial para compreender melhor a distribuição da actividade turística e apoiar decisões de planeamento.

A pressão turística não se distribui de forma uniforme. Em alguns destinos, a concentração de visitantes tem aumentado os desafios relacionados com a habitação, o comércio local, a mobilidade e os serviços públicos. Ao mesmo tempo, existem bairros e municípios com capacidade para receber turistas que continuam afastados dos principais circuitos.

Do número de turistas à análise do território

A gestão turística começa, por isso, a ultrapassar os indicadores tradicionais, como as taxas de ocupação hoteleira. A utilização de dados geográficos, demográficos, empresariais e turísticos permite analisar com maior detalhe onde estão os visitantes, quais as zonas mais pressionadas e de que forma o turismo impacta a economia local.

Entre os indicadores que podem ser analisados estão a distribuição dos turistas pelos diferentes bairros, a evolução do alojamento turístico, os fluxos de mobilidade de visitantes e residentes, a concentração da atividade comercial e a distribuição territorial da despesa turística.

Esta informação pode apoiar estratégias destinadas a desconcentrar os fluxos turísticos, encaminhando visitantes para áreas menos pressionadas, ao mesmo tempo que permite antecipar necessidades de infraestruturas e serviços públicos.

Inteligência territorial ganha espaço nas administrações

A chamada inteligência territorial combina diferentes fontes de informação para construir uma visão mais atualizada sobre o comportamento de um destino.

Em Espanha, ferramentas como a GeoPublic, da inAtlas, estão já a ser utilizadas por várias administrações públicas para apoiar a gestão turística e o planeamento urbano. Entre as entidades referidas encontram-se a Câmara Municipal de Barcelona, a Diputación de Barcelona, os Governos das Canárias e das Ilhas Baleares e as câmaras municipais de Sevilha e Alcobendas.

Estas ferramentas permitem acompanhar não apenas a capacidade de alojamento hoteleiro e não hoteleiro, mas também a evolução dos alojamentos turísticos registados, os movimentos de visitantes e residentes e a distribuição territorial da despesa.

No caso dos alojamentos turísticos (VUT), o cruzamento de diferentes fontes de informação pode ainda ajudar as administrações a melhorar o conhecimento sobre o stock existente e apoiar as tarefas de supervisão previstas no atual quadro regulamentar.

Diversificar para reduzir a pressão

A utilização destes dados permite passar de uma gestão baseada em médias gerais para uma leitura mais precisa do território. Em vez de saber apenas quantos turistas chegam a uma cidade, as administrações podem identificar onde se concentram, como se deslocam e quais os efeitos dessa presença nas diferentes zonas.

Para Silvia Banchini, Cofundadora e Directora Comercial da inAtlas, esta mudança é essencial para o futuro dos destinos turísticos.

“A gestão do turismo já não se resume a atrair mais visitantes, mas a compreender melhor a forma como estes interagem com o território, de modo a encontrar um equilíbrio entre competitividade, sustentabilidade e qualidade de vida.”

Num país que se prepara para mais uma época turística de forte intensidade, a capacidade de transformar grandes volumes de informação em decisões concretas poderá tornar-se uma das ferramentas para responder ao principal desafio de Espanha: Continuar a crescer sem deixar que o sucesso turístico se transforme numa fonte de pressão sobre o território e os seus residentes.