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Custo do luxo sobe 10,2% e reforça liderança de Singapura como a cidade mais cara do mundo

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Custo do luxo sobe 10,2% e reforça liderança de Singapura como a cidade mais cara do mundo

8 de julho de 2026

O custo de manter um estilo de vida de luxo aumentou 10,2% em dólares no último ano, impulsionado pela volatilidade geopolítica, pelas oscilações cambiais e pelo regresso das pressões inflacionistas. A conclusão é do Relatório Global sobre Riqueza e Estilo de Vida 2026, do Julius Baer, que revela também uma reorganização do ranking das cidades mais caras para indivíduos com elevado património líquido (HNWIs).

Pelo quarto ano consecutivo, Singapura mantém-se na liderança do índice, seguida agora por Zurique, que sobe para a segunda posição, e pelo Mónaco, que entra pela primeira vez no top três. Em sentido contrário, Hong Kong desce para o quarto lugar e Londres cai para a quinta posição.

Segundo o estudo, a evolução do ranking resulta menos da inflação local e mais da valorização de moedas como o franco suíço e o euro face ao dólar norte-americano. Pelo contrário, cidades cujas moedas acompanharam a evolução do dólar perderam competitividade relativa.

O Índice Lifestyle do Julius Baer analisa o custo de um cabaz composto por 20 bens e serviços representativos de um padrão de vida de luxo em 25 cidades de todo o mundo, oferecendo uma perspectiva sobre o impacto das flutuações cambiais e das condições económicas no custo de vida dos grandes patrimónios.

Europa ganha peso entre as cidades mais caras

A Europa foi a região onde os preços mais cresceram, com um aumento médio de 14,1% em dólares, acima da média global. A valorização do euro e do franco suíço impulsionou cidades como Zurique, Mónaco, Paris, Milão e Frankfurt, enquanto Barcelona manteve a sua posição.

Londres, por seu lado, perdeu terreno devido ao comportamento da libra esterlina, cuja evolução acompanhou mais de perto a do dólar norte-americano.

Na Ásia-Pacífico, região que continua a concentrar cinco cidades no top 10 mundial, Singapura mantém a liderança graças ao elevado custo da habitação e dos automóveis, aliado à robustez da sua moeda. Sydney foi a cidade que mais subiu no ranking, avançando seis posições para o oitavo lugar.

Pela primeira vez em três anos, nenhuma cidade do continente americano integra o top 10. Nova Iorque continua a ser a cidade mais cara da região, seguida por São Paulo, enquanto Santiago do Chile e Cidade do México também melhoraram a sua posição.

Ouro impulsiona preços do luxo

Entre os bens analisados, a joalharia e os relógios registaram dos maiores aumentos de preços. A valorização do ouro — que mais do que duplicou desde 2024 — fez disparar os preços da joalharia em 16,4% e dos relógios em 15,5%.

No conjunto, os bens de luxo registaram uma subida média de 12,3%, refletindo o aumento do custo das matérias-primas, da mão de obra especializada e das estratégias comerciais das grandes marcas internacionais.

O relatório conclui ainda que, ao contrário do observado em anos anteriores, os preços dos bens cresceram mais rapidamente do que os dos serviços.

Geopolítica condiciona consumo e investimento

O inquérito realizado junto de indivíduos de elevado património revela que a instabilidade geopolítica passou a ser uma preocupação transversal. Entre 82% e 95% dos inquiridos afirmam estar preocupados ou muito preocupados com o atual contexto internacional.

Apesar de a riqueza continuar a crescer em praticamente todas as regiões, os padrões de consumo tornaram-se mais diferenciados. A Ásia-Pacífico e o Médio Oriente apresentam os níveis de despesa mais elevados, enquanto a Europa evidencia maior contenção.

As despesas com experiências, hotelaria e restauração continuam a liderar as preferências dos consumidores de luxo, mas é a saúde que emerge como uma das categorias com maior crescimento em todas as regiões, confirmando a tendência de encarar o bem-estar e a longevidade como componentes centrais da riqueza.

O estudo mostra ainda que muitos milionários já alteraram os seus hábitos de compra para contornar tarifas e diferenças cambiais. Mais de metade admite viajar para o estrangeiro para adquirir produtos de luxo, enquanto cerca de um quarto afirma fazê-lo regularmente.

Também as estratégias de investimento estão a mudar. A maioria dos inquiridos reforçou a diversificação das carteiras, aumentou a exposição a metais preciosos e procurou distribuir os investimentos por diferentes geografias, numa tentativa de reduzir o impacto da incerteza económica e política.

Para Christian Gattiker, Director de Investigação do Julius Baer, "a moeda voltou a assumir um papel central, mas é a interação entre moedas, ativos e comportamentos que explica verdadeiramente a evolução do património e do custo de vida global".