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Construção lidera criação de empresas num mercado de trabalho com máximos históricos
O mercado de trabalho português encerrou 2025 com novos máximos históricos de população activa e emprego, mas mantém um desafio estrutural: 29,2% dos trabalhadores têm baixo nível de qualificação, o dobro da média da União Europeia. Os dados constam do relatório do quarto trimestre divulgado pela Randstad Research, com base no Inquérito ao Emprego do INE.
No final do ano, a população activa atingiu 5,67 milhões de pessoas, enquanto o número de empregados subiu para 5,34 milhões, ambos os valores mais elevados da série histórica. A taxa de desemprego manteve-se nos 5,8%, abaixo da média europeia (6%), com menos 11,4% de desempregados face ao período homólogo.
Construção destaca-se na criação de novos negócios
No plano empresarial, a Construção foi o sector mais dinâmico em 2025, com 6.799 novas empresas constituídas, liderando entre as 50.263 novas sociedades criadas no país. No mesmo período, registaram-se 13.589 dissoluções.
Apesar do dinamismo na criação de empresas, as perspectivas para o início de 2026 apontam para maior prudência no sector da Construção, que ajustou em baixa as expectativas de contratação para o próximo trimestre.
Baixas qualificações continuam a marcar o mercado
Embora 35,8% da população activa tenha ensino superior — grupo que apresenta a taxa de actividade mais elevada (83,8%) — quase três em cada dez trabalhadores têm apenas o ensino secundário obrigatório ou menos, reflectindo um mercado de trabalho com forte assimetria de qualificações – refere o relatório da Randstad Research.
Entre os trabalhadores por conta de outrem, 85,5% têm contrato sem termo, enquanto o emprego temporário recuou para 14,5%. No sector público, o emprego ultrapassou os 766 mil trabalhadores, também um máximo histórico.
Teletrabalho volta a crescer
No quarto trimestre, o teletrabalho aumentou em 93 mil pessoas, abrangendo 1,13 milhões de trabalhadores (21,2% do total). O regime híbrido consolidou-se como o modelo dominante. A Grande Lisboa e a Península de Setúbal concentram as taxas mais elevadas.
Apesar do crescimento do emprego e do dinamismo empresarial — com particular destaque para a Construção — os dados evidenciam a necessidade de reforçar a qualificação da força de trabalho, num contexto de exigências crescentes de produtividade e competitividade no sector.














