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Construção civil satisfeita com prazos de protocolo de migração regulada, mas pede mais meios

Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN.

Construção civil satisfeita com prazos de protocolo de migração regulada, mas pede mais meios

27 de março de 2026

O sector da construção civil em Portugal está satisfeito com os prazos de resposta dos serviços públicos para vistos ao abrigo do Protocolo para a Migração Laboral Regulada, mas pede um reforço de meios públicos e mais formação.

O Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada foi uma solução concretizada no ano passado para acelerar a atribuição de vistos de trabalho a imigrantes nos países de origem, com recurso à rede diplomática portuguesa.

Em resposta à Lusa quando passa um ano da assinatura do acordo, em 1 de Abril de 2025, o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas -AICCOPN referiu que o acordo “tem registado até à data uma elevada adesão”.

“Os prazos entre a submissão dos processos e o atendimento presencial dos requerentes nos postos consulares competentes têm sido escrupulosamente cumpridos”, acrescentou Manuel Reis Campos.

Na quarta-feira, o Governo anunciou que até ao momento foram aprovados 3.328 vistos a partir dos pedidos das associações empresariais, ao abrigo deste protocolo, e no total já foram feitos 5,183 pedidos.

No caso da maior associação de construção civil do país, já foram entregues 236 processos de pedido de visto, abrangendo 1.676 trabalhadores e a “maioria destes trabalhadores já se encontra em funções em Portugal ou em fase final de colocação”.

Este processo tem registado uma “adesão crescente das empresas” e a maior parte dos pedidos abrange trabalhadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (especialmente Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Brasil).

Também se nota “um recrutamento expressivo na América Latina, com particular incidência na Colômbia e no Peru”, a par de um “número significativo” de outros países, como Marrocos, Senegal, Paquistão ou Índia.

“O interesse neste procedimento tem-se intensificado, resultando num volume crescente de pedidos por parte das empresas do sector”, referiu o dirigente, num momento em que a “carência de mão-de-obra é transversal em Portugal a vários setores e afeta quase todas as regiões do país”.

O comboio de tempestades que assolou o centro do país e as inundações noutros locais levam Reis Campos a salientar a “relevância estratégica redobrada” do protocolo, “ao viabilizar uma resposta imediata às necessidades do mercado, garantindo a legalidade do recrutamento e promovendo a integração dos trabalhadores estrangeiros”.

“Actualmente, estima-se um défice de 80 a 90 mil profissionais no sector da construção, um factor que condiciona a capacidade de resposta das empresas” face à procura.

Hoje, considerou Reis Campos, “escasseiam profissionais em diversas áreas, nomeadamente técnicos de painéis solares, encarregados, soldadores, eletricistas, condutores-manobradores, pedreiros, ladrilhadores, canalizadores, serventes e até engenheiros”.

O protocolo “não solucionará, por si só, o problema estrutural da falta de mão-de-obra na sua totalidade”, notou.

Por isso, é “imperativo, por um lado, dotar as entidades estatais competentes”, como a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), de “maiores meios técnicos e humanos para responder à procura atual”.

Por outro, é importante “adoptar uma estratégia de política pública integrada, que concilie a necessária integração dos imigrantes com políticas ativas de formação, reconversão e valorização do capital humano nacional”.

Nesse sentido, o dirigente da associação pede mais apoio às empresas na qualificação dos quadros e junto dos centros de formação dedicados, para “expandir a sua capacidade formativa e alinhar as políticas de formação profissional com as reais exigências do mercado”.

Além disso, defendeu, é “necessário fomentar as carreiras técnico-profissionais, através do financiamento de cursos pós-secundários em universidades e centros de formação”, entre outras instituições.

Em resposta à Lusa, fonte oficial da Secretaria de Estado da Presidência e Imigração referiu que o "balanço é positivo" e que o sucesso não se mede pela quantidade de vistos emitidos, mas pela capacidade do Estado de “responder às necessidades das empresas (cerca de 21 dias) e pela procura crescente deste instrumento".

A maioria dos imigrantes que entraram ao abrigo deste mecanismo concentram-se na agricultura (cerca de 60%) e construção e imobiliário (40%), mas a "procura tem sido crescente noutros setores como no comércio/serviços e indústria, à medida que a eficiência deste canal regulado de imigração se tem tornado evidente", salientou a mesma fonte.

Com o fim da manifestação de interesse, um recurso jurídico que permitia autorização de residência de quem entrasse no país sem visto laboral, o visto de trabalho passou a ser a única forma de estar legal em Portugal através de contratação para um emprego.

LUSA/DI