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Buenos Aires prepara hotel de 120 milhões de dólares num contexto de recuperação do turismo internacional

 

Buenos Aires prepara hotel de 120 milhões de dólares num contexto de recuperação do turismo internacional

27 de outubro de 2026

O Simon Hotel Palermo, um empreendimento de 500 quartos e um investimento previsto de 120 milhões de dólares, vai reforçar a oferta hoteleira de Buenos Aires, numa altura em que a capital argentina regista uma recuperação das chegadas de turistas internacionais, apesar das dificuldades que persistem no setor turístico nacional.

A cidade de Buenos Aires prepara-se para receber um dos maiores projetos hoteleiros dos últimos anos na Argentina. O Simon Hotel Palermo, previsto para o bairro de Palermo, representa um investimento de 120 milhões de dólares (cerca de 103 milhões de euros), incluindo a aquisição do terreno.

O empreendimento ocupará grande parte de um quarteirão delimitado pelas ruas Godoy Cruz, Costa Rica e El Salvador, numa zona da capital argentina em transformação urbanística.

Com uma área de construção estimada entre 35 mil e 38 mil metros quadrados, o projeto prevê um edifício de sete pisos acima do rés-do-chão, onde ficarão distribuídos 500 quartos. O complexo incluirá ainda três pisos subterrâneos, com cerca de 300 lugares de estacionamento e um espaço para eventos.

O projeto arquitetónico está a ser desenvolvido pelo atelier Bodas Miani Anger y Asociados e contempla um pátio interior ajardinado, com espelho de água, terraço com solário, áreas de convívio e uma zona comercial dedicada sobretudo à restauração.


DR


O chef argentino Fernando Trocca participará como consultor na definição da oferta gastronómica, concebida para atrair não apenas hóspedes, mas também residentes e visitantes do bairro.

Apesar da dimensão, os promotores classificam o empreendimento como um hotel boutique, associando esta designação ao conceito arquitetónico, à identidade dos espaços e à experiência de alojamento, e não ao número de quartos.

As obras deverão começar no primeiro trimestre de 2027, com um prazo de construção estimado entre dois anos e meio e três anos. A concretização deste calendário dependerá da evolução do projeto e do respetivo financiamento.

Palermo atrai investimento hoteleiro

A escolha de Palermo reflete a importância crescente deste bairro na atividade turística de Buenos Aires. Conhecido pela concentração de restaurantes, bares, comércio, espaços culturais e vida noturna, tornou-se um dos principais polos de atração de visitantes nacionais e estrangeiros.

Os promotores consideram que a oferta de alojamento de grande dimensão é insuficiente face à procura turística da zona, justificando assim a construção de uma unidade com 500 quartos.



O Simon Hotel pretende também funcionar como um espaço aberto à cidade, combinando hotelaria, gastronomia, comércio e eventos. O conceito inspira-se em modelos internacionais que procuram integrar diferentes públicos e atividades no mesmo empreendimento.

O investimento coincide com projetos de transformação urbana em Palermo, incluindo novas ligações viárias, espaços públicos e áreas verdes nas imediações de antigas infraestruturas ferroviárias.

Turismo internacional recupera em Buenos Aires

O projeto surge num contexto de recuperação do turismo internacional na capital argentina.

Segundo dados divulgados pelo Governo da Cidade de Buenos Aires, 1,6 milhões de visitantes estrangeiros chegaram à cidade no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 19% face ao mesmo período do ano anterior.

A capital recebe anualmente mais de nove milhões de turistas, incluindo cerca de 2,7 milhões de visitantes internacionais, segundo os indicadores apresentados pelas autoridades municipais.

Buenos Aires dispõe de aproximadamente 440 estabelecimentos hoteleiros, dos quais 117 são unidades de quatro e cinco estrelas, com uma capacidade global próxima de 55 mil lugares de alojamento por dia.

A atividade turística beneficia de uma oferta cultural e gastronómica diversificada, da realização de congressos, feiras e grandes eventos internacionais e da melhoria das ligações aéreas.

O turismo de negócios constitui igualmente um segmento relevante. Buenos Aires mantém uma posição destacada na América Latina enquanto destino de congressos e reuniões internacionais, fator que contribui para sustentar a procura hoteleira ao longo do ano.


Porto Madero - Buenos Aires. Foto de Deensel em Wikipedia


Argentina enfrenta evolução desigual do turismo

A recuperação observada em Buenos Aires contrasta com a evolução mais irregular do turismo internacional no conjunto da Argentina.

Segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), o país recebeu cerca de 5,3 milhões de turistas internacionais em 2025, menos 14% do que no ano anterior.

Em contrapartida, as viagens de residentes argentinos ao estrangeiro aumentaram 43%, para aproximadamente 11,9 milhões, originando um saldo turístico negativo de cerca de 6,6 milhões de turistas.

Já em agosto de 2026, a Argentina recebeu 432.900 turistas estrangeiros, num total de 733.900 visitantes não residentes quando incluídos os excursionistas. O número global de visitantes aumentou 10,4% em termos homólogos, sinalizando uma melhoria face ao período anterior.

Estes indicadores mostram que a recuperação da procura turística não tem sido uniforme, coexistindo sinais de crescimento em determinados destinos e períodos com os efeitos das condições económicas e cambiais sobre a competitividade internacional do país.

Desde a chegada do controverso e boçal Javier Milei à presidência da Argentina, em dezembro de 2023, o país tem atravessado um processo de ajustamento económico, marcado pela contenção da despesa pública, desregulamentação e alterações na política cambial. No turismo, a valorização do peso em termos reais durante parte deste período encareceu a Argentina para os visitantes estrangeiros e tornou as viagens ao exterior mais acessíveis aos argentinos, contribuindo para o agravamento do défice turístico. Embora Buenos Aires continue a atrair investimento hoteleiro e a beneficiar do seu encanto natural, oferta cultural e gastronómica, o setor enfrenta desafios de competitividade associados aos preços, à evolução cambial e à volatilidade económica.