
Caldas de Moledo - reabilitação Fase I

Fotos CMPeso da Régua

Piscina



Termas das Caldas de Moledo reabrem até ao final do ano após investimento de quatro milhões
As Termas das Caldas de Moledo, no Douro, deverão reabrir até ao final de 2026, depois de anos de encerramento, na sequência de um investimento global que deverá rondar os quatro milhões de euros. A primeira fase prevê a recuperação integral de um dos antigos balneários e a criação de mais de uma dezena de postos de trabalho diretos.
Localizadas junto ao rio Douro, entre Peso da Régua e Mesão Frio, e integradas na paisagem classificada pela UNESCO como Património Mundial, as termas passarão a constituir o 17.º equipamento termal da região do Porto e Norte, segundo anunciou à Lusa o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), Luís Pedro Martins.
A intervenção pretende recuperar um complexo termal que perdeu progressivamente atividade até ao encerramento dos balneários e piscinas, em 2010. O projeto é desenvolvido através de uma parceria entre o TPNP e o Município de Peso da Régua, proprietários de diferentes parcelas e edifícios do conjunto.
A primeira etapa concentra-se num dos dois balneários históricos, que será recuperado, equipado e destinado ao uso termal público. O objetivo é retomar os tratamentos terapêuticos e, simultaneamente, criar uma oferta ligada à saúde e bem-estar que complemente o turismo de natureza, vinho e gastronomia já existente no Douro.
O regulamento do estabelecimento termal, publicado em Diário da República em junho de 2025, prevê que as Caldas de Moledo possam funcionar durante todo o ano e estabelece a realização de tratamentos termais mediante acompanhamento médico.
Segunda fase abrange outro balneário e jardins
A recuperação não ficará limitada ao edifício que deverá abrir este ano. Segundo Luís Pedro Martins, estão já assegurados cerca de dois milhões de euros através do programa regional Portugal 2030 para a recuperação do segundo balneário e dos jardins históricos.
Em julho passado, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) realizou uma visita de acompanhamento à concessão, juntamente com representantes do TPNP e do Município de Peso da Régua. A entidade confirmou que estão em desenvolvimento projetos destinados à revitalização do balneário e à valorização turística do recurso hidromineral.
A reabilitação pretende conservar a piscina como um dos elementos centrais e adaptar as instalações às atuais exigências técnicas, sanitárias e de segurança. Entre os objetivos estão a recuperação do termalismo no Alto Douro, a diversificação da oferta turística e a dinamização económica e social da zona.
Apesar dos trabalhos em curso, a DGEG ainda incluía, na atualização de agosto de 2026, Caldas de Moledo na lista nacional de estabelecimentos termais com atividade suspensa, situação que deverá alterar-se com a entrada em funcionamento do balneário.
Antigos hotel, casino e palacete destinados ao turismo
Uma fase posterior deverá abranger os restantes imóveis históricos das Caldas de Moledo, incluindo o Grande Hotel, o antigo casino e o palacete, que deverão ser entregues à exploração privada através de concurso público no âmbito do programa REVIVE ou de um modelo semelhante.
As Caldas de Moledo integram a terceira fase do REVIVE, programa destinado à recuperação de património público através de investimento privado para fins turísticos. A documentação atualmente disponível identifica uma área de cerca de 17.700 metros quadrados a afetar ao projeto e inclui, entre outros imóveis, o Grande Hotel, Casino e Palacete e piscinas termais.
A componente hoteleira, por isso, não faz parte da abertura prevista para este ano. O próximo passo será o lançamento do concurso para encontrar um promotor privado que recupere e explore turisticamente os restantes edifícios.
Uma estância termal ligada à história do Douro
As propriedades terapêuticas das águas de Caldas de Moledo ganharam notoriedade no século XVIII, mas foi durante o século XIX que a estância conheceu um forte desenvolvimento, associado a D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha, figura incontornável da história do vinho do Porto e do Douro.
O conjunto cresceu com hotéis, casino, palacete, balneários e jardins e, no início do século XX, a procura das águas termais contribuiu para o desenvolvimento económico da localidade. A perda de procura conduziu posteriormente ao encerramento dos hotéis e do casino, mantendo-se apenas os balneários e piscinas em funcionamento até 2010.
O complexo beneficia de uma localização singular, entre o rio Douro, a Estrada Nacional 108 e a Linha do Douro, dispondo ainda de uma estação ferroviária própria. Em janeiro deste ano, a Infraestruturas de Portugal concluiu também a conservação e restauro dos painéis de azulejos da estação de Caldas de Moledo, no âmbito de uma intervenção que abrangeu sete estações ferroviárias.
Com a reabertura do primeiro balneário até ao final do ano e a futura recuperação do restante património para fins turísticos, o projeto procura devolver às Caldas de Moledo a função termal perdida há 16 anos e recuperar um dos conjuntos históricos mais emblemáticos das margens do Douro.
Um enquadramento histórico
D. Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896), mais conhecida como Ferreirinha, nasceu e morreu em Godim, Peso da Régua, e foi uma das mais destacadas empresárias portuguesas do século XIX. Ligada a uma família de grandes proprietários do Douro, assumiu a condução dos negócios depois de enviuvar aos 33 anos, destacando-se pela expansão das propriedades vitivinícolas, pela modernização da produção e pela afirmação do vinho do Porto. A sua atividade ultrapassou, porém, o setor do vinho: teve também um papel determinante no desenvolvimento das Caldas de Moledo, que durante o século XIX se transformaram numa prestigiada estância termal do Douro.





















