
Quinta de Crasto, em Vairão, Vila do Conde
Quinta de Crasto vence Prémio Gulbenkian Património 2026
A reabilitação da Quinta de Crasto, em Vairão, Vila do Conde, foi distinguida com o Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva de 2026. O projeto, da autoria do arquiteto Nuno Valentim, transformou a antiga propriedade agrícola na sede da Associação Biopolis, um centro de investigação dedicado à biodiversidade e à transferência de conhecimento.
Na fundamentação da decisão, o júri destacou a "excecional qualidade patrimonial dos restauros do edificado, tanto do palácio como dos equipamentos agrícolas", assim como a "profunda e dinâmica pluridisciplinaridade" do projeto e a relação da Associação Biopolis com as expectativas do território envolvente.
Datada de meados do século XIX, a Quinta de Crasto está implantada numa paisagem marcada por campos agrícolas, áreas arborizadas e povoações rurais. O conjunto edificado inclui uma casa senhorial, com características de neoclassicismo regional, e vários edifícios agrícolas organizados em torno de um pátio fechado, onde se destacam as eiras em granito, os silos e um espigueiro.
A intervenção adaptou este património a uma nova função científica, preservando a memória da antiga exploração agrícola. Segundo a ata do júri, a transformação permitiu conciliar a nova vocação do espaço com as marcas das antigas funcionalidades da quinta, mantendo a ligação à história e à paisagem local.
O projeto resultou de uma colaboração multidisciplinar que envolveu arquitetos, paisagistas, engenheiros, designers gráficos, conservadores, restauradores e cientistas. A coordenação arquitetónica esteve a cargo de Nuno Valentim, a paisagística foi assegurada por Paulo Farinha Marques e a coordenação científica coube a Nuno Ferrand de Almeida, diretor do Biopolis.
Três projetos recebem menções honrosas
Além do prémio principal, o júri, presidido por António Lamas e composto por Gonçalo Byrne, Raquel Henriques da Silva, Rui Vieira Nery e Santiago Macias, atribuiu três menções honrosas.
No Porto, foi distinguido o projeto de reabilitação da Casa Cedo, na Rua de Cedofeita. A intervenção recuperou e reutilizou um conjunto habitacional que integrava espaços de habitação nos pisos superiores e áreas de serviços no piso térreo e numa construção situada no logradouro. O júri valorizou tanto o cuidado da intervenção como a documentação pormenorizada do processo.
Em Matosinhos, a menção honrosa foi atribuída à reabilitação da Casa d’Abreu Neto, projetada por Álvaro Siza Vieira entre 1954 e 1956. A casa integra o conjunto das Quatro Casas de Matosinhos, considerado a primeira obra integral do arquiteto. O júri destacou não só a singularidade arquitetónica da intervenção, mas também o modelo de utilização e preservação do imóvel, que permaneceu como residência da mesma família ao longo de quatro gerações. A decisão de abrir a casa ao público permite manter a sua função habitável, associada a novas atividades.
A terceira menção honrosa distinguiu a reabilitação do antigo Telheiro do Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa, atualmente Sala-Estúdio Valentim de Barros. O espaço, inicialmente concebido como zona de passeio para os doentes do sexo masculino e posteriormente utilizado para apresentações da comunidade terapêutica, foi transformado numa black box multiusos.
A intervenção procurou conciliar a funcionalidade necessária ao acolhimento de diferentes projetos com a preservação dos elementos arquitetónicos originais. O júri salientou o contributo do espaço para a salvaguarda do património material e imaterial, a preservação da memória histórica, a criação artística contemporânea e a participação comunitária.
















