
Data center
Portugal prepara expansão dos Data Centers com pipeline de 1.389 MW em Lisboa
Portugal está a reforçar a sua posição no mercado europeu de centros de dados, impulsionado pelo crescimento da procura associada à inteligência artificial (IA), pela conectividade internacional e pelo desenvolvimento de projetos de grande dimensão. Lisboa conta atualmente com 25 MW IT de capacidade operacional, mas apresenta um pipeline de desenvolvimento de aproximadamente 1.389 MW IT, segundo o mais recente Data Centers Iberian Region Snapshot, da consultora imobiliária Colliers.
De acordo com o relatório, cerca de 91% da capacidade assegurada deverá entrar em operação antes de 2030. Apesar de não terem sido registados novos projetos ou aumentos da capacidade operacional em Lisboa entre abril e setembro de 2026, a dimensão dos investimentos previstos evidencia o potencial de crescimento do mercado nacional.
A Colliers considera que a combinação entre uma base operacional ainda reduzida e um elevado volume de projetos em desenvolvimento poderá permitir a Portugal captar uma nova vaga de procura por infraestruturas digitais.
Inteligência artificial impulsiona projetos de grande escala
A expansão da inteligência artificial está a transformar as necessidades dos operadores de centros de dados, aumentando a procura por energia, conectividade e instalações capazes de suportar cargas computacionais de elevada densidade.
Um dos projetos em desenvolvimento é o Lisbon AI Campus, da Merlin Edged. A primeira fase prevê 80 MW IT, distribuídos por duas instalações de 40 MW, com entrega prevista para o quarto trimestre de 2027. Está igualmente planeada uma capacidade adicional de 100 MW IT, repartida por três edifícios, elevando a capacidade prevista do campus para 180 MW IT.
A empresa prevê ainda desenvolver até mais 1.120 MW IT no seu pipeline futuro. Este plano inclui 200 MW IT em Vila Franca de Xira e outros 920 MW IT numa localização ainda não divulgada.
Para Jose María Guilleuma, Managing Director de Data Centers Iberia da Colliers, Portugal reúne condições para assumir um papel de destaque na infraestrutura digital europeia.
«A transformação digital e o crescimento da inteligência artificial estão a impulsionar uma nova vaga de investimento em centros de dados em toda a Europa. Portugal dispõe hoje de uma oportunidade extraordinária para se afirmar como um hub digital de referência», afirma o responsável, destacando o acesso a energia a preços competitivos, a localização estratégica, o apoio das administrações públicas e a previsibilidade jurídica e regulatória.
Sines reforça posição na infraestrutura para IA
Fora da região de Lisboa, Sines assume uma importância crescente na estratégia nacional para o desenvolvimento de infraestruturas digitais de grande escala.
Segundo a Colliers, a Start Campus, em parceria com a Nscale e a Microsoft, ampliou o projeto para implementar mais de 66.000 GPUs NVIDIA Rubin a partir do final de 2027. Esta capacidade complementará as mais de 12.600 GPUs NVIDIA Blackwell Ultra previstas para o centro de dados SIN01.
A Start Campus mantém autorização para uma capacidade total de 1,2 GW, reforçando o potencial de Sines para acolher projetos de grande dimensão destinados a responder às necessidades da inteligência artificial.
A expansão do setor começa também a chegar a outras regiões do país. A entrada da NxN no mercado português, através da aquisição de um centro de dados operacional de 1 MW IT em Évora, demonstra o alargamento gradual da atividade para além dos principais polos de desenvolvimento.
Energia e execução condicionam o crescimento
A atratividade de Portugal para os operadores de centros de dados assenta, entre outros fatores, na conectividade internacional, suportada pela rede de cabos submarinos e pela infraestrutura de fibra ótica, bem como num enquadramento regulatório considerado favorável.
No entanto, a concretização dos projetos anunciados dependerá da capacidade de transformar o pipeline de desenvolvimento em instalações efetivamente operacionais. A disponibilidade de energia, os prazos de ligação à rede e a capacidade de execução continuam a ser desafios relevantes para o setor europeu.
Neste contexto, o tempo necessário para garantir acesso à energia e a previsibilidade dos calendários de desenvolvimento assumem um peso crescente na escolha das localizações. Os mercados capazes de combinar disponibilidade energética, terrenos adequados e conectividade estarão mais bem posicionados para captar novos investimentos.
Portugal ganha espaço face aos mercados tradicionais
A análise da Colliers enquadra a evolução portuguesa numa tendência de descentralização do mercado europeu de centros de dados. Embora os grandes mercados tradicionais continuem a concentrar uma parte significativa da capacidade operacional, as limitações de energia, rede e terrenos estão a aumentar o interesse por novas localizações.
Na Península Ibérica, Madrid e Barcelona dispõem de ecossistemas de centros de dados já consolidados. Lisboa apresenta-se como uma alternativa complementar, beneficiando da conectividade internacional e do potencial de expansão.
Com projetos de grande escala previstos para Lisboa e Sines, e novos investimentos a surgirem noutras regiões, Portugal procura afirmar-se como um destino relevante para operadores que necessitam de responder ao crescimento da computação em nuvem, da inteligência artificial e das infraestruturas digitais.















