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O IPDT prevê consolidação do turismo nacional em máximos históricos

23 de março de 2026

O Anuário de Tendências 2026 do IPDT - Tourism Intelligence prevê até 34 milhões de hóspedes, 83 milhões de dormidas e 7 mil milhões de euros em proveitos para este ano*.

No ano em que assinala 25 anos de actividade, o IPDT apresenta o Anuário de Tendências 2026, que integra o Barómetro do sector turístico. As projecções apontam para a consolidação dos níveis recorde alcançados nos últimos dois anos, num ciclo de crescimento mais moderado e sustentado.

Para 2026, o painel estima que Portugal possa receber entre 31,1 e 34 milhões de hóspedes (31,6 milhões em 2024 e 32,5 milhões em 2025) e registar entre 80,1 e 83 milhões de dormidas (80,4 milhões em 2024 e 82,1 milhões em 2025). Os proveitos globais deverão situar-se entre 6,6 e 7 mil milhões de euros, mantendo o sector em patamares historicamente elevados (6,7 mil milhões em 2024 e 7,2 mil milhões em 2025).

“Após um 2024 excepcional e um 2025 em máximos históricos, 2026 deverá marcar uma fase de consolidação, com crescimento mais moderado e proveitos a refletirem a valorização contínua do sector”, afirma Jorge Costa, presidente do IPDT - Tourism Intelligence. “Com receitas próximas dos 30 mil milhões de euros** e um saldo da balança turística acima dos 20 mil milhões, quase o triplo de 2014, o turismo afirma-se como pilar estratégico, representando mais de 10% do PIB, face aos 5,9% de há pouco mais de uma década”.

Turismo nacional oferece segurança e confiança político-económica

Segundo o painel do Barómetro, a segurança, estabilidade política e confiança económica, apontadas por 75% dos especialistas, assumem-se como principal factor de competitividade do destino. A imagem positiva e atratividade de Portugal surgem logo depois, referidas por 68%, seguindo-se a qualidade, diversidade e competitividade da oferta turística, mencionadas por 66%. A conectividade e eficiência operacional, indicadas por 39%, reforçam igualmente a importância das acessibilidades na consolidação do crescimento.

Acessibilidades, mobilidade e recursos humanos são os maiores desafios

O relatório indica ainda que apesar do cenário positivo, persistem desafios relevantes para 2026. As acessibilidades e mobilidade são apontadas por 48% dos inquiridos como principal constrangimento, particularmente ao nível da capacidade aeroportuária. A escassez de recursos humanos qualificados é referida por 45%, enquanto 43% destacam os riscos associados à instabilidade económica e financeira internacional. A pressão turística em determinados destinos é mencionada por 32%, sublinhando a necessidade de melhor gestão de fluxos.

Requalificação e diversificação da oferta são objetivos para 2026
Perante este enquadramento, as prioridades estratégicas para 2026 passam pela requalificação e diversificação da oferta (41%), pela melhoria das infraestruturas e acessibilidades (27%) e pela valorização dos recursos humanos (25%), assegurando um crescimento mais equilibrado e sustentável.

10 tendências de viagem

O Anuário identifica, ainda, 10 tendências de viagem para 2026: o autocuidado e regeneração; os destinos escolhidos conforme o estado de espírito; o turismo literário e desintoxicação digital; procura de silêncio e refúgio; ou o regresso a destinos para experiências mais profundas. Surgem ainda: a valorização do quotidiano e autenticidade local; o desporto como motivação cultural; as viagens como teste das relações; as viagens como rituais de transição pessoal; e a Inteligência Artificial como suporte discreto à personalização da experiência.

“E se o Turismo acabasse?”

Este ano, o IPDT - Tourism Intelligence desafia o sector, projectando um mundo sem turismo, destacando impactos como o colapso económico em vários setores, o aumento do desemprego e empobrecimento, a perda de vitalidade urbana, o enfraquecimento do diálogo cultural, o menor financiamento ambiental e a redução da empatia entre sociedades.

Como resposta, propõe-se o “Turismo de Coexistência”, centrado no equilíbrio entre visitantes, comunidades e território, promovendo estadias mais conscientes, melhor gestão de fluxos e redistribuição de benefícios.

Para o IPDT - Tourism Intelligence, o turismo é um sistema vital que liga economia, cultura, ambiente e relações humanas, exigindo planeamento e gestão com responsabilidade e propósito. Atualmente, o setor emprega 339 mil pessoas (6,5% do emprego), reúne 51,2 mil empresas (11% do total), registando 110 mil novos diplomados entre 2020 e 2024 e tem 57% de mulheres em atividade no turismo.

*As estimativas, realizadas em 2025, não consideram eventuais impactos das cheias e inundações associadas às depressões/ eventos climáticos de 2026 no contexto socioeconómico de Portugal.
**Receitas turísticas de Portugal: 29 mil milhões de euros em 2025 e 27,7 mil milhões em 2024, quase o triplo de 2014 (10,3 mil milhões).

Fontes adicionais: INE, Turismo de Portugal, TravelBI, Banco de Portugal e SIBS.