
Maioria das casas compradas com crédito custa entre 250 mil e 500 mil euros
O mercado da habitação financiada em Portugal continua a concentrar-se em imóveis de valor elevado, com a maioria das casas adquiridas através de crédito bancário a situar-se na faixa entre os 250 mil e os 500 mil euros. A conclusão consta do mais recente estudo da UCI, realizado junto de intermediários de crédito, que traça o retrato da actividade deste sector e das tendências que estão a marcar o financiamento à habitação.
Segundo o estudo, mais de metade dos intermediários de crédito inquiridos indica que o valor médio de aquisição dos imóveis financiados se encontra entre os 250.001 e os 500.000 euros. Apenas 37,4% consideram que o valor médio das habitações compradas é inferior a este intervalo, enquanto 5,5% apontam para montantes superiores.
Apesar do preço de compra se concentrar nesta faixa, o financiamento concedido pelos bancos situa-se, na maioria dos casos, em valores mais baixos. Cerca de 45,7% dos intermediários indicam que o montante médio dos empréstimos varia entre os 150 mil e os 250 mil euros, enquanto 42,7% referem financiamentos entre os 250.001 e os 500.000 euros. Os dados sugerem que uma parte significativa dos compradores continua a recorrer a capitais próprios para complementar a aquisição do imóvel.
Intermediários acompanham dezenas de clientes todos os meses
O estudo evidencia também o elevado volume de actividade dos intermediários de crédito. Quase um quarto dos profissionais inquiridos afirma receber entre 21 e 30 novos clientes por mês e cerca de dois terços referem acompanhar mais de 20 novos processos mensalmente.
No entanto, o número de escrituras realizadas é inferior ao volume de novos contactos. Cerca de metade dos inquiridos concretiza menos de 10 escrituras por mês, enquanto aproximadamente 24% ultrapassam as 20 escrituras mensais.
Esta diferença reflete os tempos necessários para a análise e aprovação dos processos de financiamento.
Escrituras demoram, na maioria dos casos, até dois meses
O tempo entre o primeiro contacto do cliente e a assinatura da escritura continua a prolongar-se por várias semanas.
Mais de metade dos intermediários (55,3%) indica que o processo demora entre 31 e 60 dias, enquanto 38,1% aponta para prazos entre 61 e 90 dias.
Os processos concluídos em menos de um mês continuam a ser residuais. Apenas 2,6% dos profissionais afirmam conseguir concretizar escrituras em menos de 31 dias.
Sector acredita que peso dos intermediários vai aumentar
O estudo revela igualmente uma visão otimista sobre o futuro da atividade. Quase metade dos inquiridos acredita que o papel dos intermediários de crédito continuará a crescer nos próximos anos, enquanto 39,2% considera que a sua relevância se manterá estável.
Entre os fatores que poderão impulsionar a evolução do setor, a notoriedade da profissão surge destacada por mais de 40% dos participantes como o principal elemento diferenciador para o crescimento do negócio.
A inovação tecnológica também assume um papel relevante. Cerca de 19,9% dos inquiridos apontam a robotização e a Inteligência Artificial como factores determinantes para o futuro da atividade, enquanto 15,1% defendem que o alargamento dos serviços prestados será igualmente decisivo.
Mais de 700 profissionais participaram no estudo
O estudo da UCI teve como universo os 2.276 intermediários de crédito para habitação registados no Banco de Portugal.
Foram analisados 733 questionários válidos, respondidos por gestores de crédito, dos quais 505 através de entrevista telefónica e 228 em formato online. A recolha de informação decorreu entre 9 de Março e 24 de Abril, permitindo traçar um retrato actualizado da actividade dos intermediários de crédito e da evolução do mercado do financiamento à habitação em Portugal.
Diário Imobiliário com LUSA















