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Investimento imobiliário em Portugal cresceu 22% em 2025

Setubal vista do Sado - foto Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra

Investimento imobiliário em Portugal cresceu 22% em 2025

10 de fevereiro de 2026

O investimento imobiliário em Portugal totalizou 2,8 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 22% face a 2024 e 10% acima da média da última década, segundo o Dils Recap, iniciativa de business intelligence da Dils. Só no quarto trimestre foram investidos 895 milhões de euros, confirmando a atractividade do mercado num contexto económico e geopolítico desafiante – afirma a consultora.

O último trimestre marcou o regresso do capital nacional, com os fundos domésticos a ganharem peso, embora no conjunto do ano o capital internacional tenha continuado dominante, com cerca de 60% do total. As estratégias core (baixo risco, retorno estável) e value-add (risco médio, retorno potencial mais elevado) concentraram mais de 70% do investimento anual.


Escritórios, retalho e hotelaria lideram

Os escritórios foram o segmento mais atractivo em 2025 (39% do total), seguidos de retalho e hotelaria (ambos com 19%). Entre as maiores operações destacam-se o Exeo Lumnia (120 milhões de euros) e a Torre Oriente (80 milhões), além da Quinta da Comporta e do Maison Albar – Le Monumental Palace 5*.

No segmento de escritórios, o investimento subiu 159% em termos homólogos, para 666 milhões de euros, o valor mais elevado desde 2022. Em Lisboa, a ocupação atingiu 204.241 m² no ano, com 30% da área absorvida por novas empresas. As rendas prime continuam a subir, alcançando 30 €/m²/mês nas zonas centrais. No Porto, a ocupação foi de 43.700 m², abaixo de 2024, com um pipeline relevante para 2026.


Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal


Retalho resiliente apesar de menor volume

O retalho somou 838 milhões de euros em 2025 (-28% face a 2024), com forte preferência por activos prime e formatos ancorados em supermercados. As vendas a retalho cresceram 6,4%, impulsionadas pelo turismo. As rendas prime mantiveram-se estáveis (140 €/m²/mês em Lisboa e 85 €/m²/mês no Porto). Os retail parks continuam a captar interesse, com cinco projectos em construção.


Industrial & logística com rendas em alta

O industrial & logística registou 299 milhões de euros (+18%), apesar de uma queda da ocupação anual. A escassez de produto prime sustenta as estratégias value-add e levou a uma subida de 5% das rendas, para 5,50 €/m²/mês em Lisboa e 5,75 €/m²/mês no Porto.


Hotelaria impulsionada pela procura internacional

A hotelaria alcançou 540 milhões de euros (+15%), com destaque para o crescimento do mercado norte-americano (+7%). Em 2025 abriram 2.900 novos quartos e as yields prime mantiveram-se nos 5,75%. Lisboa, Porto e Algarve registaram ADR e RevPAR elevados.

Residencial sob pressão de preços

No residencial, a oferta continua limitada — conclui-se uma casa por cada seis vendidas — mantendo pressão ascendente nos preços. O Índice de Preços da Habitação cresceu 17,7% em termos homólogos. Em Lisboa, os preços médios rondam 5.200 €/m²; no Porto, 3.700 €/m². A procura desloca-se para zonas periféricas e para projectos até 350 mil euros, enquanto o peso dos compradores nacionais aumenta.

Para Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, “os resultados de 2025 confirmam a resiliência e maturidade do mercado, com confiança sustentada de investidores nacionais e internacionais”.