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Investimento imobiliário - Freepik

Investimento imobiliário - Freepik

Investimento imobiliário em Portugal cresce 13% para 1.386 milhões de euros no primeiro semestre

30 de setembro de 2026

O mercado imobiliário comercial português manteve uma trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026, apesar de um contexto internacional marcado pela incerteza económica, pelas tensões geopolíticas e pelas pressões inflacionistas. De acordo com a mais recente edição do estudo Prime Watch, da consultora B. Prime, o investimento imobiliário atingiu 1.386 milhões de euros entre janeiro e junho, mais 13% face ao período homólogo.

Os dados apontam para uma manutenção do interesse dos investidores pelo mercado português, com a hotelaria e o retalho a assumirem-se como os segmentos mais procurados. Em conjunto, estes dois setores concentraram cerca de 63% do capital investido na primeira metade do ano.

Segundo a B. Prime, o desempenho destes segmentos reflete a confiança dos investidores nos fundamentais da economia portuguesa e a continuidade do interesse internacional por ativos de qualidade e mercados com perspetivas de crescimento.

Escritórios: procura por ativos de qualidade

No mercado de escritórios, Lisboa registou uma ocupação de 66.906 metros quadrados no primeiro semestre. O segmento encontra-se numa fase de estabilização, mas a procura mantém-se particularmente direcionada para edifícios modernos, eficientes e sustentáveis.

A consultora alerta, contudo, para um possível desfasamento entre a oferta futura e as necessidades das empresas. O pipeline previsto até 2028 poderá não ser suficiente para responder à procura nas principais zonas de escritórios da capital.

Logística mantém dinamismo

O setor industrial e logístico continuou também a apresentar um desempenho positivo, com uma absorção de 199.182 metros quadrados nos primeiros seis meses do ano.

Entre as tendências identificadas pela B. Prime destaca-se o crescimento dos centros de dados, que representam já cerca de 9% da área atualmente em desenvolvimento neste segmento. A evolução reflete a crescente procura por infraestruturas associadas à digitalização da economia e às novas necessidades tecnológicas das empresas.

Retalho cresce 11%

O mercado de retalho registou igualmente uma evolução favorável. A ocupação cresceu 11% face ao primeiro semestre de 2025, com as localizações de rua a manterem-se na liderança das novas aberturas.

A expansão de marcas internacionais e o crescimento de conceitos de retalho de proximidade e de baixo custo continuam a contribuir para a dinâmica deste segmento.

Oferta continua a ser um dos principais desafios

Para Jorge Bota, Managing Partner da B. Prime, o desempenho do primeiro semestre demonstra a capacidade de adaptação do mercado imobiliário português perante um enquadramento internacional mais exigente.

“O mercado imobiliário português continua a evidenciar fundamentos sólidos e uma capacidade de adaptação notável perante um enquadramento internacional mais desafiante”, afirma o responsável, destacando a estabilidade das yields, o interesse dos investidores e a procura por ativos de qualidade.

Jorge Bota considera ainda que Portugal mantém uma posição relevante no contexto europeu, mas identifica a capacidade de resposta da oferta à procura como um dos principais desafios para os próximos anos, sobretudo nos mercados mais consolidados.

Perspetivas positivas para a segunda metade do ano

Para o segundo semestre, as perspetivas da B. Prime permanecem positivas. A consultora aponta como fatores de suporte a evolução da economia portuguesa, o dinamismo do turismo, a execução dos fundos europeus e a continuidade do investimento empresarial.

Num contexto de maior previsibilidade financeira, a B. Prime antecipa a manutenção de níveis robustos de atividade e investimento nos principais segmentos do imobiliário comercial português.