
Inflação mantém-se nos 3,3% em Maio, pressionada pela energia e transportes
A taxa de inflação em Portugal estabilizou nos 3,3% em Maio, em termos homólogos, valor idêntico ao de Abril e em linha com a estimativa rápida divulgada pelo INE a 29 de Maio. A inflação subjacente — que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos — manteve-se igualmente nos 2,2%.
Os produtos energéticos continuam a ser um dos principais factores de pressão, com uma variação homóloga de 13,1% em Maio, acima dos 11,7% registados em Abril. Os produtos alimentares não transformados desaceleraram para 5,7%, depois dos 7,4% do mês anterior.
Por classes de despesa, destacam-se as subidas nos transportes (6%), na habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (3,5%) e no lazer, recreação, desporto e cultura (0,2%). Em sentido contrário, registaram descidas as bebidas alcoólicas e tabaco (3,1%), os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (3,2%) e os restaurantes e serviços de alojamento (5,1%).
Em termos mensais, o IPC subiu 0,2% entre Abril e Maio, uma variação significativamente inferior ao 1,3% registado no mês anterior. A variação média dos últimos 12 meses fixou-se nos 2,5%.
No plano europeu, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) registou uma variação homóloga de 3,1% em Maio — abaixo dos 3,3% de Abril —, valor ligeiramente inferior à estimativa do Eurostat para a área do euro (3,2%).
A falta do... Owner-Occupied Housing Index
Atente-se, porém, que a compra de casa não entra directamente no cálculo da inflação. Ou seja: Preço das casas e apartamentos, Valor dos terrenos, Prestações do crédito à habitação (capital)
não são incluídos no IPC do INE.
Esta é uma das críticas frequentemente feitas ao indicador de inflação, sobretudo em países como Portugal, onde os preços da habitação têm subido muito mais rapidamente do que a inflação geral.
Existe ainda um indicador complementar europeu chamado Owner-Occupied Housing Index (OOH), que procura medir os custos associados à habitação própria, incluindo aquisição de habitação nova e grandes obras, mas este índice não faz parte da inflação oficial (IPC/IHPC) divulgada todos os meses.
Por isso, é possível ter uma inflação de 3,3% e, ao mesmo tempo, os preços das casas estarem a subir 10%, 15% ou mais ao ano sem que isso se reflicta directamente na taxa oficial de inflação.















