
Antiga Fabrica da Cerveja junto à muralha do castelo de Faro. Foto CMF
Faro vai estudar futuro da antiga Fábrica da Cerveja
O futuro da antiga Fábrica da Cerveja, situada no centro histórico de Faro, será decidido após a realização de um estudo de viabilidade económica que avaliará três possíveis utilizações: equipamento cultural, empreendimento turístico ou instalação de serviços municipais. O edifício, adquirido pela autarquia em 1998/1999, encontra-se degradado e apresenta problemas de segurança.
O presidente da Câmara de Faro, António Pina (PS), anunciou que o município pretende analisar os custos e benefícios de cada solução antes de tomar uma decisão sobre o destino do imóvel, localizado na Vila-Adentro, junto às muralhas do antigo castelo.
Entre as hipóteses em avaliação está a manutenção da utilização cultural, a transformação do edifício numa unidade turística, possibilidade para a qual já terá sido manifestado interesse por um grupo hoteleiro, ou a concentração de serviços municipais atualmente dispersos pela cidade.
O estudo deverá considerar os encargos com a reabilitação, manutenção e exploração do imóvel, bem como as receitas potenciais de uma eventual venda ou concessão. Embora sem apresentar uma estimativa formal, António Pina admitiu que as obras poderão representar um investimento de cinco a seis milhões de euros.
Associação de Músicos contesta mudança
A antiga Fábrica da Cerveja acolhe, desde 2014, a Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM), instalada provisoriamente no edifício ao abrigo de um contrato de comodato.
Perante os problemas de segurança e licenciamento, a autarquia propôs transferir a associação para as antigas instalações da Indal, junto ao Teatro das Figuras, onde pretende criar o Margem – Centro Cultural e Criativo.
O arrendamento do espaço, aprovado pela Assembleia Municipal, terá uma duração de dez anos e um custo anual de 84 mil euros, acrescido de obras de adaptação estimadas entre 250 mil e 500 mil euros.
A ARCM rejeita, contudo, a mudança, argumentando que o novo espaço não reúne condições para acolher as suas atividades e que a permanência num imóvel privado será limitada no tempo. A associação defende a recuperação da Fábrica da Cerveja e a manutenção da sua utilização cultural.
A controvérsia motivou também a criação do Movimento Pela Fábrica, que se opõe à eventual alienação do imóvel e reivindica a sua preservação como equipamento cultural público.
Um edifício com história industrial
Construída entre 1930 e 1940, a antiga Fábrica da Cerveja ocupa parte do antigo castelo de Faro, numa zona onde existiram instalações industriais desde finais do século XIX, incluindo uma destilaria de álcool que funcionou entre 1904 e 1935.
A industrialização da área levou, por volta de 1930, à demolição de um troço da muralha para permitir a abertura da Rua Nova do Castelo e facilitar a circulação automóvel.
O edifício, um dos primeiros da cidade construídos em betão armado, nunca chegou a funcionar como fábrica de cerveja. Entre 1968 e 1992 esteve associado à atividade da Cervisul, distribuidora de cervejas e vinhos, e ao Regimento de Infantaria do Sul.
Adquirido pela Câmara Municipal de Faro no final da década de 1990, chegou a estar destinado à instalação de um museu de arte contemporânea, projeto que nunca se concretizou.
Quase três décadas depois da aquisição municipal, o imóvel continua à espera de uma solução definitiva, agora dependente de uma avaliação económica e da decisão sobre a sua futura utilização
Lusa/DI
















