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domingo, 29 de novembro de 2020
Entrevistas
O trabalho à distância para os arquitectos é um entrave à criatividade

O trabalho à distância para os arquitectos é um entrave à criatividade

7 de outubro de 2020

Em plena crise de  2012, muitas profissões e profissionais tiveram de se renovar e inovar.  Entre as actividades que mais necessitaram de se reorganizar para ultrapassar a crise, que se estendeu a todos os sectores económicose com profundo impacto no mercado imobiliário e a todas as actividades que dependem dele, foi a arquitectura. Num contexto de inovação surgiu nesse ano, o Architect Your Home, lançado pela arquitecta Mariana Morgado Pedroso

Numa altura em que tinha aberto o seu próprio atelier, e procurava ideias inovadoras na área da arquitectura, Mariana trouxe o conceito do Architect Your Home, que  passa por fazer obras e projectos à medida dos orçamentos disponíveis e que podem ser realizado apenas numa divisão da casa.

Actualmente, o Architect Your Home é um gabinete com projectos em todas as escalas, desde as intervenções à medida, a grandes projectos de reabilitação de edificado. Num momento em que uma nova crise paira no ar, Mariana admite que tal como noutras actividades, também a arquitectura será diferente depois da pandemia.

Como vê a arquitectura no actual contexto de pandemia e pós- Covid?

A Arquitectura será concerteza diferente. Vamos assistir a uma mudança de paradigma, em especial no desenho dos espaços interiores da habitação e na arquitectura de escritórios. A preocupação com a disposição do mobiliário em escritórios, casas mais funcionais, a possibilidade de adaptação dos nossos redutos pessoais, à permanência prolongada em casa, vai obrigar a que os arquitectos tenham em consideração novas formas de planear o espaço.

Os especialistas do mercado imobiliário referem que com o confinamento, as pessoas começaram a olhar de forma diferente para as suas casas e as tendências têm-se alterado. Como arquitecta tem sentido isso? O que alterou nas necessidades dos portugueses relativamente às suas casa?

Sim, de facto temos sentido uma procura maior de projectos de remodelação de espaços existentes para os tornar mais funcionais para a vida do confinamento, por exemplo, preocupações com a acústica em que ajudamos encontrar soluções de arquitectura e escolha de materiais a aplicar numa casa que permitam que várias pessoas numa casa consigam estar em simultâneo em videoconferência.

O que irá mudar na casa dos portugueses?

As casas vão ser vividas por um tempo de permanência maior, o que implica que todos nós estamos a olhar mais para os pequenos detalhes, que no dia a dia anterior ao Covid não reparávamos, como a falta de uma casa de banho extra, ou a necessidade de um espaço de escritório dentro de casa, o que significa que será necessário fazer muitas adaptações nas casas da maioria das pessoas. Temos preparadas várias soluções para este tipo de questões e temos aplicado em consultorias de arquitectura e decoração, muitas vezes feitas online, para que cada um possa adaptar a sua casa a esta nova realidade.

A arquitectura acompanha essas necessidades e tendências?

A arquitectura acompanha invariavelmente  as necessidades do mundo no qual vivemos, Como é bem demonstrado com uma viagem pelo Planeta. Não vivemos todos da mesma forma, as nossas casas e necessariamente os arquitectos criam vivências adaptadas às tendências de cada país.

Quais os entraves à actividade dos arquitectos neste momento?

Neste momento, o que sentimos enquanto trabalhamos à distância é precisamente uma dificuldade de fluidez na criatividade, um projecto é um trabalho de equipa e quando os arquitectos estão juntos, é muito comum surgirem ideias de conversas entre todos sobre os vários trabalhos em curso, e se cada um estiver em sua casa essa espontaniedade perde-se, pelo que é crucial para a criatividade ser exponencial, estarmos juntos. O trabalho à distância ainda é um entrave para esta fluidez criativa.

Considera que o papel do arquitecto tem vindo a desvalorizar? Ou pelo contrário?

Creio que o papel do arquitecto tem vindo a ser valorizado ao longo do tempo. Sinto que no geral, o mainstream começa cada vez mais, a valorizar o papel do arquitecto, não só no desenho do espaço público mas também no desenho das nossas casas e a importância que tem o arquitecto no dia-a-dia das nossas vidas.

Como vê o futuro da profissão e da arquitectura em Portugal?

Creio que arquitectura é uma profissão sempre necessária, que é multidisciplinar e abrange várias outras franjas de mercado, e que a profissão se adapta a vários tipos de empregos. O número de arquitectos em Portugal nos últimos anos já está mais estabilizado, pelo que creio, neste momento, existe uma solidez de oferta que permite responder à procura.

E do mercado imobiliário?

O mercado imobiliário em Portugal continuará a ter uma dinâmica e crescimento, em especial nos grandes centros urbanos onde existe muita procura e ainda muito potencial de edificado, o que permitirá a existência de muitas transacções nos próximos anos. Será contido, no entanto, é importante dinamizar o mercado em regiões mais interior do país, de forma a potenciar o crescimento das mesmas, essa procura já se sentia no pre-Covid e espera-se que retome com o tempo.

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