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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
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Imobiliário está a conseguir captar muita liquidez porque é um investimento seguro

Imobiliário está a conseguir captar muita liquidez porque é um investimento seguro

22 de janeiro de 2021

Rafael Ascenso, director geral da Porta da Frente Christie’s, garante que cada vez que se aumenta a carga fiscal, alteram-se Leis, ou se eliminam programas como o Golden Visa, estamos rejeitar a criação de riqueza e a reduzir a dinâmica da economia como um todo e não apenas no sector imobiliário.

O responsável admite mesmo que é crucial que este sector seja visto como um dos motores para nova recuperação económica tão necessária após a pandemia. Terminar com o Golden Visa em Lisboa e no Porto e aumentar a carga fiscal no imobiliário não é certamente o que o país precisa neste momento.

O que se pode esperar para o mercado imobiliário em 2021?

Especialmente se pensarmos que em 2020 o mercado foi posto à prova e mostrou uma grande solidez. Acreditamos que 2021 continuará a tendência que temos sentido no último trimestre de 2020: mais procura e um aumento gradual de negócios concretizados.

É importante salientar que os fundamentos do mercado imobiliário continuam válidos e inalterados: Portugal continua a ser uma das melhores opções para viver e investir, com uma das melhores qualidades de vida do mundo e um índice de segurança que o posiciona como o 3º país mais pacífico do globo.

Em 2019 sentimos que o mercado estava finalmente a estabilizar ao nível de preços. Penso que a pandemia veio acelerar esse processo de estabilização. A procura por produtos imobiliários premium vai certamente continuar e provavelmente crescer após o regresso à normalidade, por parte dos clientes nacionais mas especialmente pelos estrangeiros. Existem vários projectos destinados a este segmento de mercado, pelo que não me parece que vá haver escassez de oferta.

Continuamos a ter um nível de preços muito abaixo das principais cidades europeias, com uma qualidade de construção e acabamentos muito acima destas. Acreditamos que o sector irá sair ainda mais fortalecido, como destino de investimento não só para estrangeiros mas também para nacionais.

É importante referir, claro, que este é um processo que poderá ainda levar alguns meses, pois ainda temos uma pandemia a nível mundial e há uma série de consequências a impactar financeiramente as famílias.

Mas por outro lado, o imobiliário está a conseguir captar muita liquidez. Porque é investimento mais seguro e, nesta altura, dos mais rentáveis. Se olharmos para as opções, percebemos que as pessoas e as instituições com liquidez reduziram significativamente a sua confiança nos bancos, para além de não receberam destes qualquer remuneração, e também não depositam grande confiança nos mercados financeiros com oscilações constantes. A alternativa é o imobiliário, especialmente em países estáveis e seguros.

Quais os desafios que se vão colocar ao sector em 2021?

Verificámos que nestes últimos tempos, as pessoas e famílias passaram a dar muito mais importância ao seu espaço, à sua casa, e as que têm possibilidade, nomeadamente no segmento médio alto e alto, têm estado a fazer upgrades. Procuram casas maiores, com espaços exteriores que possam aproveitar. Esta é uma tendência que foi assinalada também pela rede mundial da Christie’s International Real Estate, um pouco por todo o globo.

O desafio é acompanhar esta tendência, apresentar soluções tanto no mercado de venda como de arrendamento.

Fundamental também será continuar a captar o investimento estrangeiro. Não só dos mercados que nos têm comprado nos últimos anos, mas também de novos mercados que após a pandemia possam reconhecer Portugal como um destino preferencial de investimento.

Que medidas devem ser tomadas em 2021?

Manter quadro legal e fiscalidade do imobiliário. Não há nada pior para o investidor do que a incerteza. Nos anos mais recentes tivemos várias alterações às taxas de IMT (em que se passou quase para o dobro no segmento mais alto), alterações à Lei do arrendamento, restrições ao AL, anúncios da eliminação do Golden Visa em Lisboa e no Porto, alterações à Lei do Residente Não Habitual. Tudo isto é desnecessário e afasta investidores, nomeadamente no segmento médio alto e alto.

O sector imobiliário foi um motores da recuperação do nosso país após a crise de 2008-12. Fundamentalmente através da captação de investimento estrangeiro. O nossos governantes têm que perceber que, para além da entrada directa de capitais para aquisição de imóveis, estes investidores e novos residentes do nosso país contribuem de forma decisiva para a dinâmica da nossa economia. Através do consumo destas famílias, da contratação de serviços, de pessoas, das viagens, etc..  têm um impacto na nossa economia superior ao valor das aquisições directas que fizeram.

Cada vez que aumentamos a carga fiscal, alteramos as Leis, ou eliminamos programas como o Golden Visa, estamos rejeitar a criação de riqueza e a reduzir a dinâmica da economia como um todo e não apenas no sector imobiliário.

Por isso diria que a maior medida, será a ausência de medidas que prejudiquem o nosso mercado. É crucial que este sector seja visto como um dos motores para nova recuperação económica tão necessária após a pandemia. Terminar com o Golden Visa em Lisboa e no Porto e aumentar a carga fiscal no imobiliário não é certamente o que o país precisa neste momento.

http://www.diarioimobiliario.pt/Actualidade/2021-O-ano-da-prova-de-fogo-para-o-imobiliario

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