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segunda-feira, 29 de novembro de 2021
Entrevistas
Do futebol profissional para a promoção imobiliária e construir projectos inovadores

Do futebol profissional para a promoção imobiliária e construir projectos inovadores

18 de outubro de 2021

Depois da carreira de futebolista profissional, Luís Dias decidiu investir no imobiliário e quer trazer para o mercado um fundo de investimento em que os futebolistas possam investir de forma controlada no desenvolvimento de projetos imobiliários logo desde a raiz.

Luís Dias pensando no seu futuro e sabendo que a carreira de futebolista profissional é curta,  decidiu investir no imobiliário e criar a wonderhome investimentos imobiliários para construir projectos totalmente inovadores.

Consciente que a sustentabilidade deve fazer parte de todas as actividades, o seu caminho no imobiliário também vai nesse sentido. Pretende deixar para as   futuras uma marca de inovação e qualidade na construção e por isso, o seu último projecto é pioneiro. O Ecocork Santa Luzia, é o primeiro edifício em Portugal com uma fachada revestida a cortiça e cerâmicas 50% recicladas. Conheça o projecto AQUI.

Em entrevista ao Diário Imobiliário, explica como começou a sua aventura no imobiliário, os desafios deste projecto e o que espera para o futuro.

Como surgiu o desafio da promoção imobiliária?

Foi quase por acaso. Licenciei-me em educação física e desporto com mestrado via ensino, mas, também graças à independência financeira que consegui construir enquanto jogador de futebol, comecei a ponderar se conseguiria adaptar-me à vida de professor ou de instrutor de fitness e cheguei a conclusão que não seria isso que me iria fazer feliz. Ficar ligado ao futebol também deixou de ser opção, já que são demasiadas pessoas para poucos cargos e é um meio bastante difícil de se entrar - costumo dizer, quase que por brincadeira, que é um meio onde nem sempre os melhores sobrevivem porque o teu sucesso não depende somente de ti, do teu sacrifício e do teu trabalho.

Tendo tudo isto em conta, comecei a pensar no que poderia investir e em 2016 surgiu a oportunidade de comprar um terreno, onde comecei a fazer uma casa para vender e foi assim que começou o meu percurso na promoção imobiliária. Cinco anos depois, já tenho alguns projetos desenvolvidos, sendo o último, ainda em execução, um projeto multifamiliar, que tem a particularidade de ser um edifício ecológico, totalmente revestido em cortiça. Quase que posso afirmar, com 100% de certeza, que é o maior edifício do país com esta característica.

Que inovações quis trazer para o mercado com o projecto Ecocork Santa Luzia, um edifício com uma fachada revestida com cortiça?

Na minha vida tenho uma premissa muito simples que é “não fazer mais do mesmo”. E como este projeto estava inserido dentro de um loteamento e condicionado a bastantes regras típicas deste tipo de terrenos, a única forma de o tornar diferenciador teria que ser através do recurso a materiais pouco ou nada utilizados. Assim, e depois de uma grande pesquisa e de várias conversas com o Hélder Guedes, um amigo pessoal que acreditou em mim e decidiu investir comigo neste empreendimento em concreto, e com os autores do projeto (DRS Arq.) decidimos apostar num produto ecológico, de maneira a termos um projeto mais sustentável, com materiais reciclados e naturais. A ideia principal era ter um produto que ferisse o ambiente o menos possível, reduzindo assim a pegada ecológica. Como diz Renzo Piano: “A sustentabilidade consiste em construir no presente pensando no futuro”. 

Neste projecto, o material que se destaca acaba por ser a cortiça, um material típico português e com bastantes provas dadas, não só ao nível da qualidade dos isolamentos, sejam térmicos ou acústicos, mas também ao nível da durabilidade. Contudo, não ficamos por aqui. Também optámos por utilizar cerâmicos ecológicos, feitos a partir de materiais reciclados, utilizamos ainda torneiras com poupança de água, equipamos os fogos com uma aparelhagem eléctrica com "domótica" para que os clientes possam otimizar toda a utilização dos aparelhos das casas, etc.

Com este projeto, percebi ainda que poderá ser vantajoso investir na qualidade do produto, dando-lhe certas comodidades e características, em detrimento de se investir em publicidades e marketing para a facilitação das vendas. Acredito que poderá ser uma solução bastante interessante para os promotores imobiliários.

Como tem sido o feedback perante um projecto inovador?

Tem sido óptimo. Numa fase inicial, as pessoas estranharam porque a cortiça não é um revestimento muito utilizado, talvez devido ao elevado custo em comparação com as outras soluções existentes no mercado, e por isso acaba por ser mais utilizado em obras públicas ou então em projetos de outra envergadura. Mas depois de explicados todos os pormenores, todas as pessoas ficam com a certeza de que é uma ótima opção para o revestimento do edifício.

A título de exemplo, posso partilhar que é regular a passagem de pessoas pelo edifício sem qualquer tipo de interesse na compra de apartamentos, mas que tem curiosidade em saber mais sobre o revestimento utilizado e que acabam por entrar no nosso stand de vendas para perceberem melhor as vantagens do material. Este comportamento acaba por mostrar que optar pela cortiça foi uma opção acertada da nossa parte.

Disse que quer deixar uma marca e que para isso tudo foi pensado ao pormenor. Pode explicar a ideia de como deve contribuir para uma construção sustentável?

Citando novamente Renzo Piano: “A sustentabilidade consiste em construir no presente, pensando no futuro”. Esta frase deixa claro que aquilo que fazemos hoje irá continuar a ter impacto daqui 10, 20 ou 30 anos, logo devemos ter bastantes cuidados no que fazemos. A pergunta mais importante dos nossos tempos é ‘que planeta deixaremos aos nossos filhos?’ e daqui a 30 anos eles olharão para os edifícios construídos hoje e vão admirá-los ou rejeitá-los. É certo que a beleza está aos olhos de quem olha, agora o que não pode ser questionado é que o produto que ali está edificado é um produto que contribuirá para o bem estar deles.

A cortiça, por exemplo, não liberta nenhum tipo de poluente na sua produção e é um produto 100% natural. Por outro lado, ao utilizar materiais reciclados estamos a lutar contra o desperdício, algo muito presente nas nossas vidas actuais. Já é uma evidência o quão importante será para a vida das gerações mais novas as lutas contra a poluição do ambiente e as alterações climáticas, por isso se nós, hoje, podermos fazer algo para nos juntarmos a essas lutas, por que não fazê-lo? Se cada um de nós pensar assim nas nossas vidas teremos um planeta melhor, a nossa vida será melhor e a nossa casa será melhor. Para nós, talvez fosse mais fácil fazer como todos, utilizar os mesmo produtos enraizados no mercado. Se calhar, não se levantavam tantas dúvidas, mas esse não é o caminho que eu quero trilhar para mim. 

Como se encontra o mercado fora das grandes cidades?

Existe uma grande procura, talvez até maior do que a oferta existente. E isto acontece, principalmente, porque as grandes cidades atingiram preços altíssimos, muito por causa dos estrangeiros que procuram habitações no nosso país, bem como a elevada procura do turismo. Os preços praticados não são facilmente suportados pelos agregados familiares da classe média portuguesa nem por pessoas que, por razões profissionais, têm que se mudar para essas grandes cidades. Assim, todas elas têm que começar a procurar outras soluções, a preços mais convidativos. Mas há outros factores que me parecem cada vez mais importantes e relevantes para quem procura casa: as áreas das habitações fora das grandes cidades são, normalmente, mais generosas e fora das grandes cidades a qualidade de vida e a tranquilidade não está ao nível do que se encontra nas cidades periféricas.

É rentável investir em imobiliário?

Acho que colocar as coisas dessa forma é demasiado simplista. Não existe uma só solução de investimento para o mesmo produto e são essas escolhas que levam esse produto a ser muito ou pouco rentável, ou até mesmo não ser rentável. O que posso dizer é que, tal como todos os outros negócios, o imobiliário tem que ser muito bem estudado e estruturado. Se é certo que se pode ter uma grande rentabilidade no produto, também não é menos verdade que o prejuízo também poderá ser avultado, já que os valores envolvidos no mesmo são sempre elevados em comparação com outros ramos de investimento.

A forma como eu me guio neste ramo é ter sempre um Plano B e não pensar só no plano A. Tenho sempre um caminho alternativo para o caso de as coisas correrem mal. Felizmente, ainda não tive que recorrer ao Plano B em nenhum dos meus projetos e espero não ter que o fazer, mas ele está sempre lá. Para mim tem sido rentável, embora não tanto quanto eu desejaria, mas se procurarem outros investidores talvez eles vos digam que as coisas não são bem assim.

Quais os próximos desafios?

Tenho algumas ideias, algumas estruturas de negócio já montadas, mas estão no forno para que possam sair o mais próximo possível da perfeição. Posso partilhar duas delas:

Uma é fazer um investimento voltado para a geração apelidada de ‘millenial’, geração que gosta de ter qualidade de vida, de viajar, de ter novas experiências e que não quer ser escrava das habitações, mas sim ter um local simpático e aconchegante para viver e juntar a isso um poder de compra para os prazeres da vida. Esta ideia está muito próxima de sair cá para fora.

A outra é voltada para as minhas duas grandes paixões profissionais que são o futebol e o imobiliário. Pensando nisso, por que não criar uma ponte entre estas duas realidades que conheço bem? Por um lado, as dificuldades e toda a logística associada para se poder desenvolver um projeto imobiliário; por outro, preparar o final de carreira dos jogadores, já que muito deles, durante os anos que praticam a modalidade, ou são mal aconselhados ou têm receio de investir e preparar o final da carreira, assegurando rendimentos que não se fiquem apenas pelo futebol. A ideia passa por criar uma espécie de fundo de investimento em que os futebolistas possam investir de forma controlada no desenvolvimento de projetos imobiliários logo desde a raiz, evitando, dessa forma, entrar no final da cadeia com rentabilidades mais baixas.

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