
Cascais - Foto CMC
Diferença entre o concelho mais caro e o mais barato para comprar casa já supera 1,25 milhões de euros
O mercado imobiliário português continua a evidenciar fortes assimetrias entre concelhos, tanto na compra como no arrendamento. De acordo com o mais recente Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, a diferença entre o município mais caro e o mais acessível para adquirir habitação ultrapassa actualmente os 1,25 milhões de euros, reflectindo um mercado cada vez mais fragmentado e marcado por dinâmicas regionais muito distintas.
Na compra de habitação, Cascais mantém a liderança como o concelho mais caro do país, com um preço médio de 1,3 milhões de euros. No extremo oposto surge Vila Velha de Ródão, onde o valor médio de aquisição se fixa nos 49 mil euros, uma diferença de 26,5 vezes entre os dois mercados.
O ranking dos concelhos mais caros continua a ser dominado por localizações de forte procura turística e residencial. Grândola ocupa a segunda posição, com um preço médio de 1,1 milhões de euros, seguida da Calheta, na Madeira, com 920 mil euros. Já Castro Marim destaca-se não apenas pelo preço médio de 860 mil euros, mas também pela maior valorização mensal registada no país (+11,7%) e por um crescimento anual de 22,9%, confirmando o dinamismo do mercado algarvio.
Entre os dez mercados mais caros figuram ainda Loulé (779 mil euros), Oeiras e São Brás de Alportel (750 mil euros), Lisboa (720 mil euros), Faro (675 mil euros) e Sines (670 mil euros).
Interior continua mais acessível, mas acelera valorização
Apesar de manterem os preços mais baixos do país, vários concelhos do interior registam atualmente algumas das maiores taxas de valorização anual.
Depois de Vila Velha de Ródão, os mercados mais acessíveis para comprar casa são Pampilhosa da Serra (56.250 euros), Vinhais (57 mil euros) e Proença-a-Nova (67.500 euros). Castelo Branco, Guarda, Bragança, Portalegre, Beja e Elvas completam o grupo dos concelhos com preços mais baixos.
Ainda assim, alguns destes mercados apresentam crescimentos muito expressivos. Portalegre valorizou 32,6% num ano, Beja 26,3% e Castelo Branco 18,6%, demonstrando que o aumento dos preços já não se limita aos grandes centros urbanos e às zonas costeiras.
Cascais lidera também no arrendamento
No mercado de arrendamento, Cascais continua igualmente a ocupar o primeiro lugar, com uma renda média mensal de 2.500 euros. A maior surpresa surge, porém, em Alcácer do Sal, onde a renda média ascendeu aos 2.000 euros após uma valorização anual de 122,2%, a mais elevada entre todos os concelhos analisados.
Sines surge na terceira posição, com uma renda média de 1.875 euros, seguindo-se Lisboa (1.850 euros), Faro e Lagos (1.800 euros), Oeiras (1.700 euros), Montijo (1.650 euros), Loulé (1.630 euros) e Funchal (1.600 euros).
Na base da tabela continuam Elvas, com uma renda média de 425 euros, Guarda (500 euros), Pombal (625 euros), Bragança (650 euros) e Castelo Branco (675 euros). Apesar dos valores mais reduzidos, também estes mercados registam aumentos significativos, com destaque para Beja (+17%), Bragança (+14%), Castelo Branco (+12,5%) e Vila Real (+10,5%).
Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, o mercado nacional tornou-se significativamente mais heterogéneo. A responsável considera que, embora os mercados premium continuem a concentrar forte procura, são cada vez mais os territórios que ganham relevância e registam valorizações consistentes, reflectindo uma procura mais distribuída pelo país e criando simultaneamente novos desafios e oportunidades para compradores e investidores.
Os dados de Junho confirmam, assim, um mercado imobiliário cada vez mais descentralizado. Enquanto os destinos turísticos e o litoral continuam a concentrar os preços mais elevados, diversos concelhos do interior apresentam hoje uma combinação de valores ainda acessíveis e ritmos de crescimento expressivos, reforçando uma nova geografia da valorização imobiliária em Portugal.















