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Crédito Habitação - Freepik

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Crédito à habitação cresce 11,2%, mas 76% das casas à venda custam mais de 250 mil euros

21 de outubro de 2026

O crédito à habitação em Portugal aumentou 11,2% em agosto de 2026, face ao mesmo mês do ano anterior, mas o acesso a uma casa dentro do orçamento das famílias continua condicionado pela composição da oferta disponível. Entre janeiro e setembro deste ano, cerca de 76% dos apartamentos e moradias anunciados para venda no Imovirtual tinham um preço superior a 250 mil euros, contra aproximadamente 69% no mesmo período de 2025.

Os dados evidenciam um desfasamento entre os preços dos imóveis disponíveis e o interesse de quem procura comprar casa. Apesar de representarem apenas 24,3% dos anúncios, as habitações até 250 mil euros concentraram 51,6% das visualizações registadas na plataforma, demonstrando o peso da procura por imóveis de menor valor.

A análise do Imovirtual, cruza a evolução do mercado de anúncios imobiliários com os dados do Banco de Portugal relativos ao crédito à habitação e aponta para uma oferta cada vez mais concentrada nos escalões de preços superiores.

Casas até 200 mil euros perdem peso na oferta

A redução da disponibilidade de imóveis de menor valor torna-se particularmente evidente na comparação entre 2025 e 2026. No ano passado, as casas anunciadas por um preço até 200 mil euros representavam 20% da oferta. Este ano, a proporção caiu para 14%.

Em sentido contrário, os imóveis com preços superiores a 400 mil euros passaram de 37,6% para 39,7% do total de anúncios, reforçando o peso dos escalões mais elevados no mercado residencial.

A tendência também se observa nos segmentos intermédios. Os imóveis entre 250 mil e 300 mil euros aumentaram a sua representatividade de 12,5% para 15,4%, enquanto os anúncios entre 300 mil e 350 mil euros passaram de 9,6% para 11,1%.

Já o escalão entre 200 mil e 250 mil euros recuou de 11,4% para 10,3%, acompanhando a diminuição do peso das casas com preços inferiores a 250 mil euros.

Imóveis mais baratos concentram o interesse dos compradores

Embora tenham uma presença cada vez menor nos anúncios, as habitações de menor valor continuam a captar uma parte significativa da atenção dos utilizadores.

Os imóveis até 150 mil euros representam apenas 8,2% da oferta disponível, mas são responsáveis por 22,2% das visualizações. No escalão entre 150 mil e 200 mil euros, a diferença mantém-se: estes imóveis correspondem a 5,8% dos anúncios, mas concentram 14,2% das visualizações.

Para Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, os dados mostram a importância de analisar em conjunto a evolução do financiamento e a distribuição dos imóveis disponíveis.

"O crescimento do crédito à habitação pode refletir diferentes dinâmicas, desde a evolução do número de empréstimos até ao valor dos financiamentos concedidos. Ao mesmo tempo, os dados do Imovirtual mostram que a oferta está a ganhar peso nos escalões de preço superiores, enquanto os imóveis de menor valor continuam a concentrar uma parte muito significativa das visualizações", afirma.

A responsável considera que, para quem pretende comprar casa, é essencial avaliar não apenas as condições de financiamento, mas também a disponibilidade efetiva de imóveis compatíveis com o orçamento familiar.

Menos anúncios e menor área média

Apesar das alterações na distribuição dos preços, o volume global de anúncios de apartamentos e moradias para venda manteve-se relativamente estável. Entre janeiro e setembro de 2026, o número de anúncios publicados diminuiu 2,8% face ao período homólogo de 2025.

A área média dos imóveis anunciados também registou uma descida, passando de 147 metros quadrados em 2025 para 135 metros quadrados em 2026. A redução, de aproximadamente 8,2%, significa que as casas anunciadas apresentam, em média, uma área inferior à do ano anterior.

Sylvia Bozzo sublinha que a diferença entre a proporção de imóveis disponíveis e a atenção que recebem permite compreender melhor as dificuldades sentidas por quem procura comprar dentro de um orçamento definido. Segundo a responsável, os anúncios de menor valor continuam a despertar um interesse proporcionalmente elevado, apesar de representarem uma parcela cada vez mais reduzida da oferta.

Num contexto de crescimento do crédito à habitação, a evolução dos preços e das características dos imóveis disponíveis assume, assim, um papel central na decisão de compra. Os dados mostram que o aumento do financiamento não elimina o desafio de encontrar uma habitação compatível com a capacidade financeira das famílias, sobretudo num mercado em que a oferta se concentra cada vez mais nos escalões de preço superiores.