
Crédito à habitação atinge máximo do ano em Março com 2,95 mil milhões de euros
Avaliação bancária chega a 2.151 €/m², um novo máximo histórico. Taxa mista domina 81% dos novos contratos, o valor mais alto de sempre. PIB acelera para 2,3% - são dados do último relatório da Simplefy.
O crédito à habitação em Portugal atingiu em Março de 2026 o valor mais elevado do ano, com 2.951 milhões de euros em novos contratos — um crescimento de 34% face a Fevereiro e de 23% em termos homólogos. O crédito sem renegociações somou 2.232 milhões de euros, o segundo valor mais alto desde o início de 2023, o que confirma que o crescimento resulta sobretudo de procura nova e não de ajustamento de contratos existentes. Os dados constam no Barómetro Crédito Habitação de Maio da Simplefy, empresa portuguesa especializada em intermediação de crédito.
Taxa mista torna-se dominante nos novos contratos
A taxa de juro média dos novos contratos desceu para 2,81%, novo mínimo do ciclo de ajustamento iniciado após o pico de 4,26% em meados de 2023 — uma descida acumulada de mais de 145 pontos base em dois anos. A Euribor a 6 meses situou-se em 2,13% e a taxa directora do BCE manteve-se em 2,15%.
Na composição dos contratos por tipo de taxa, a taxa mista atingiu 81,24% das novas operações, o valor mais alto de toda a série histórica. A taxa variável recuou para 16,82% e a taxa fixa caiu para 1,93%, ambos mínimos históricos. A preferência pela taxa mista — que combina um período inicial a juro fixo com indexação posterior à Euribor — consolidou-se desde 2022 e, segundo o barómetro, reflecte já uma mudança de comportamento estrutural das famílias e não apenas uma resposta às condições de mercado.
No mercado imobiliário, a avaliação bancária total chegou a 2.151 €/m² em Março, novo máximo histórico e uma valorização homóloga de 304 €/m² (+16% face a Março de 2025). Os apartamentos foram avaliados em média em 2.511 €/m² e as moradias em 1.542 €/m², ambos em máximos da série. O montante médio das transacções fixou-se em 250.101 euros no último trimestre disponível (Q4 2025), o valor mais alto de que há registo — cerca de 55% acima do nível de 2021.















