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Comité Internacional de Críticos de Arquitectura premeia arquitectos portugueses

 

Comité Internacional de Críticos de Arquitectura premeia arquitectos portugueses

19 de junho de 2026

Ensaios e trabalhos de investigação dos arquitectos portugueses André Tavares, Pedro Baía, Luís Santiago Baptista, Vítor Alves e Carlos Machado e Moura foram distinguidos pelo Comité Internacional de Críticos de Arquitectura (CICA), nos prémios de 2026, anunciou a organização.

Ao livro "Vitruvius Without Text: The Biography of a Book" (gta Verlag, 2023), de André Tavares, foi atribuído o Prémio Bruno Zevi, que "reconhece um ensaio original, histórico-crítico, sobre arquitectura". Na mesma categoria, André Tavares foi de novo distinguido com uma menção honrosa por "Architecture Follows Fish" (MIT Press, 2024), uma história da arquitectura no Atlântico Norte, relacionada com a pesca e as suas comunidades.

Quanto ao Prémio Pierre Vago de Jornalismo em arquitectura foi para o artigo "Mapping: The Field of Criticism Since 1968" (2022), de Luís Santiago Baptista, Vítor Alves e Carlos Machado e Moura, que estabelece um mapeamento da crítica de arquitectura nos últimos 50 anos. Este artigo foi publicado no Jornal Arquitectos, da Ordem dos Arquitectos.

"Mapping: The Field of Criticism Since 1968", que o júri do CICA considerou "um esforço monumental para compreender e descrever a transformação da crítica arquitectónica desde o final da década de 1960", foi premiado em 'ex aequo' com "Junk Playgrounds. The 'Anti-Aesthetics' of Play in Post-World War", do arquitecto grego Christos Papastergiou.

No âmbito do Prémio Pierre Vago, foi também atribuída uma menção honrosa a Pedro Baía pelo artigo "A Incompletude do Palácio Nacional da Ajuda" (2022), também publicado pelo Jornal dos Arquitectos.



Sobre o livro de André Tavares, o júri do CICA, na decisão, realça o facto de o autor fazer "uma análise desenvolvida com referência a edifícios reais": "Ao traçar as consequências materiais de um livro [histórico] na obra construída", ao longo dos séculos, sejam essas consequências "desejadas ou acidentais, Tavares contorna narrativas estabelecidas e aborda tanto o poder como as limitações da teoria da arquitectura, assim como a vulnerabilidade da teoria à manipulação".

O trabalho de André Tavares sobre o arquitecto romano Vitrúvio traduz-se em dois livros: "Vitruvius Without Text: The Biography of a Book", publicado pela gta, de Zurique, agora premiado, e "Vitrúvio Já Não Mora Aqui" (2022), da editora Circo de Ideias.

Em ambos, "torna-se perceptível a permeabilidade que sempre existiu entre o texto teórico e a construção de arquitectura [...] e, em paralelo, os usos e manipulações a que o autor e o tratado 'De architectura' se ofereceram".

O primeiro, de acordo com a apresentação das duas obras disponível em livrarias 'online', "explora o impacto dos livros físicos e das edições impressas ao longo de cinco séculos na criação da figura de Vitrúvio"; o segundo "analisa a transição das ideias antigas para a era das plataformas digitais", numa análise da "permeabilidade entre os textos teóricos e a prática da arquitectura", assim como das "manipulações históricas do tratado 'De Architectura'", do arquitecto romano.

Os prémios CICA 2026 serão entregues aos vencedores no próximo dia 29, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitectos.

Lusa/DI