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BCE coloca Portugal entre países da zona euro com maior subida dos preços das casas

 

BCE coloca Portugal entre países da zona euro com maior subida dos preços das casas

27 de maio de 2026

O Banco Central Europeu (BCE) destacou que Portugal está entre os países da zona euro com maior crescimento dos preços das casas no final de 2025, alertando para a pressão causada pela escassez de habitação.

No relatório sobre a estabilidade financeira, divulgado hoje, o BCE referiu que “os preços dos imóveis residenciais apresentaram um forte aumento geral no terceiro trimestre de 2025, embora com variações significativas entre países”.

“Países da zona euro, como a Bulgária, a Croácia, a Lituânia e Portugal, registaram um crescimento sólido tanto nos preços dos imóveis residenciais como no crédito à habitação, embora o endividamento das famílias se mantenha relativamente baixo em alguns casos”, indicou o banco central.

Em contraste, Alemanha, França, Áustria e Finlândia registaram um crescimento mais moderado quer nos preços das habitações, quer no crédito à habitação.

O BCE sublinhou ainda que a oferta de habitação continua insuficiente face ao aumento da procura em vários países da zona euro, apontando que o índice PMI da construção residencial mantém-se abaixo dos 50.

“Esta discrepância está a contribuir para a escassez de habitação, amplificando a pressão ascendente sobre os preços em vários mercados”, alertou o banco central.


Sobrevalorização...

Segundo o relatório, os preços das casas estão a crescer mais rapidamente do que os rendimentos em alguns mercados, agravando os riscos de sobrevalorização.

A instituição acrescentou que “o aumento das medidas de sobrevalorização, combinado com o aperto das condições financeiras, resultou num ligeiro aumento dos riscos extremos para os preços dos imóveis residenciais na zona Euro no início de 2026”.

No segmento do imobiliário comercial, o BCE considerou que o mercado estabilizou, embora persistam “desafios estruturais”.

De acordo com o relatório, a percentagem de investidores que considera que o mercado imobiliário comercial está em recuperação tem permanecido “amplamente estável, mas moderada”, abaixo dos 50%.

“A maioria dos investidores em mercados como a Alemanha, a França e a Áustria tendem a ver o mercado como estando próximo do fundo do ciclo ou ainda em recessão”, lê-se no documento.


Correcção brusca?

Segundo o banco central, “a maioria dos investidores de países como a Grécia, Espanha e Portugal, no entanto, percepciona as condições de mercado como estando em recuperação ou no pico do ciclo”.

Além disso, o BCE alertou ainda que os mercados financeiros da zona euro continuam a evoluir num contexto "ordenado", mas permanecem expostos a uma possível "correcção brusca" caso os cenários actualmente muito favoráveis venham a ser desmentidos.

Lusa/DI