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sexta-feira, 14 de agosto de 2020
Sustentabilidade
Para os maiores investidores de imobiliário o impacto das alterações climáticas influencia negócios

Para os maiores investidores de imobiliário o impacto das alterações climáticas influencia negócios

25 de junho de 2020

Para os maiores investidores no sector imobiliário, o impacto das alterações climáticas neste momento não é apenas 'fazer a coisa certa', é real e influencia os negócios, revela o relatório de research Impacts realizado pela consultora internacional Savills.

Neste estudo foram analisados os efeitos das alterações climáticas em vários aspectos da actividade imobiliária.

A consultora imobiliária internacional estudou os vários factores críticos em termos sociais, ambientais, demográficos e tecnológicos que o sector imobiliário global enfrenta de um modo mais imediato.  

  • Uma mitigação liderada por factores ambientais, sociais e de governação (ESG) sendo que as alterações climáticas ainda lideram as estratégias dos investidores, apesar da Covid-19.
  • Sendo o sector imobiliário responsável por quase 40% das emissões relacionadas a processos e energia em todo o mundo, e o stock global de edifícios com previsão de atingir o dobro até 2050, a Savills refere que uma abordagem pró-activa em todas as etapas da construção é a única opção.
  • A segurança alimentar impulsionará a actividade imobiliária futura: a Savills destaca a Nova Zelândia como o país mais seguro, com grandes variações entre os países europeus e americanos.

Investidores internacionais, incluindo a Oxford Properties e a Nuveen Real Estate, confirmaram à Savills que, com a pandemia da Covid-19, mantêm-se totalmente comprometidos com estratégias lideradas por factores ambientais, sociais e de governação (ESG) para combater as alterações climáticas, dadas as ameaças de longo prazo que estas representam para o futuro desempenho dos activos. Como Paul Brundage, Vice-Presidente Executivo, Director Executivo Sénior da Europa e Ásia-Pacífico, da Oxford Properties, referiu à Savills, "passámos o ponto de inflexão. Estamos nele, e precisamos de lidar com isso”.

“Para os maiores investidores no sector imobiliário, o impacto das alterações climáticas neste momento não é apenas 'fazer a coisa certa' e reconhecer que activos com fortes classificações ESG tendem a superar o desempenho do mercado; é a resiliência da localização de activos devido ao risco físico de incidentes ambientais”, comenta Sophie Chick, Diretora da Savills World Research e co-líder do programa Impacts.

De acordo com a responsável, “a acção social de populações de todo o mundo no ano passado está a forçar os governos a agir. A Covid-19 é quase como a alteração climática acelerada: mostrou como as forças naturais podem afectar o mundo inteiro, mas também mostrou que, diante das ameaças existenciais, os governos e a indústria podem tomar acções rápidas e decisivas que talvez nunca tivessem tido em conta anteriormente para as resolver. A inovação mostrada pelo sector imobiliário nas últimas semanas para lidar com a pandemia precisa agora de ser aplicada no combate às crescentes emissões de carbono e à contribuição para a crise climática em todas as fases do ciclo de vida de um edifício. Dado que a regulamentação do governo nessa área só vai aumentar, uma abordagem pró-activa é a única opção”.

Segundo a Savills, para além da ameaça de inundações e incêndios, um dos principais riscos das alterações climáticas é a segurança alimentar.

Em última análise, sendo o sector imobiliário determinado pela localização das pessoas, e as pessoas dependentes do acesso a alimentos, o exame à segurança alimentar tornar-se-á uma parte crucial das actividades de investimento e desenvolvimento imobiliário. A Savills analisou e classificou 38 países em todo o mundo em quatro pilares de segurança alimentar (disponibilidade, acesso, estabilidade e utilização) no seu primeiro Índice de Segurança Alimentar, publicado como parte do Impacts (gráfico em baixo). O Índice mostra que a segurança alimentar varia amplamente em todo o mundo, com grandes variações no desempenho dos países, mesmo entre as regiões mais seguras da Europa e da América do Norte, embora a Nova Zelândia seja o país com maior segurança alimentar em geral.

Emily Norton, Directora da equipa de research para o sector rural da Savills, acrescenta ainda que “a recente crise de Covid-19 demonstrou a fragilidade das cadeias de abastecimento e de distribuição de alimentos em muitos países do mundo, mas, à medida que a crise climática acelera, as redes de abastecimento enfrentarão problemas muito mais persistentes; a longo prazo, os locais de desenvolvimento ficarão cada vez mais limitados a locais onde as populações podem aceder de forma segura e protegida ao abastecimento de alimentos”.

Para Alexandra Portugal Gomes, Associate do Departamento de Research da Savills Portugal, “a Covid-19 veio mostrar-nos a fragilidade do ser humano e o poder que a natureza exerce sobre todo o nosso sistema de vida, expondo fraquezas e elos que precisam de ser repensados estrategicamente sob um ponto de vista ambiental, energético, funcional e que zelem pela segurança de todos nós. O tema das alterações climatéricas tem sido bastante debatido mundialmente, mas até à data nunca tínhamos experienciado um vislumbre de mudança provocado por factores externos. A Covid-19 veio mudar o jogo. Nunca foi tão urgente colocar em prática e acelerar políticas e medidas de protecção ao meio ambiente, que possam assegurar factores como a segurança alimentar, que protejam as populações e assegurem o seu acesso à cadeia de distribuição alimentar”.

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