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Islândia, Arctic Adventures

Islândia, Arctic Adventures

Turismo na Islândia entra numa fase mais estável, mas hábitos dos viajantes estão a mudar

7 de setembro de 2026

Depois de uma década marcada por um forte crescimento turístico, a Islândia está a entrar numa fase de maior estabilidade. O número de visitantes estrangeiros mantém-se próximo dos 2,3 milhões por ano há três anos consecutivos, mas os dados de 2026 mostram mudanças significativas nos hábitos dos viajantes.

A forma como as viagens são reservadas, a altura do ano escolhida para visitar o país, os mercados de origem dos turistas e o tipo de experiências procuradas estão a transformar o perfil do turismo islandês.

Uma análise recente da operadora islandesa Arctic Adventures, que cruza estatísticas oficiais do turismo com dados das suas próprias reservas, identifica algumas das principais tendências que estão a marcar o mercado em 2026.

Verão é planeado com meses de antecedência

Uma das diferenças mais evidentes está no momento em que os turistas fazem as suas reservas.

Segundo os dados de reservas da Arctic Adventures relativos a 2025, entre 55% e 65% das viagens realizadas entre junho e agosto são reservadas com três a seis meses de antecedência. A procura de verão começa a ganhar força no final do inverno e durante a primavera, sendo relativamente reduzido o peso das reservas de última hora.

No inverno, o comportamento é bastante diferente. Cerca de 50% a 60% das viagens realizadas entre novembro e fevereiro são reservadas nos 30 a 60 dias anteriores à partida.

As condições meteorológicas, as previsões para observar as auroras boreais e a disponibilidade de atividades sazonais, como as visitas a grutas de gelo, ajudam a explicar esta diferença.

Também nas estações intermédias — primavera e outono — os viajantes tendem a planear com alguma antecedência. Cerca de 60% das viagens realizadas nestes períodos foram reservadas pelo menos dois meses antes.



Islândia, Arctic Adventures

No conjunto de 2025, entre 60% e 65% das reservas foram feitas entre 15 e 180 dias antes da viagem, enquanto aproximadamente um quarto das reservas ocorreu nas duas semanas anteriores à partida.

Os dados sugerem, por isso, que não existe um único ciclo de reservas para o turismo islandês. O verão caracteriza-se por um planeamento mais antecipado, enquanto no inverno os viajantes parecem esperar por melhores condições antes de confirmar a viagem.

Visitantes mantêm-se próximos dos níveis dos últimos anos

A Islândia registou cerca de 2,27 milhões de partidas de visitantes estrangeiros através do aeroporto de Keflavík em 2025, segundo dados do Icelandic Tourist Board.

O valor representa uma subida face aos cerca de 2,21 milhões registados em 2023 e aproxima-se dos 2,26 milhões de 2024.

Apesar de estar longe das taxas de crescimento verificadas durante a expansão do turismo islandês na década passada, o número de visitantes mantém-se elevado. Em 2025, o volume correspondeu a 97,6% do recorde histórico registado em 2018.

Nos primeiros seis meses de 2026, cerca de 956 mil visitantes estrangeiros partiram através de Keflavík, contra 966 mil no mesmo período do ano anterior, uma redução de aproximadamente 1%.

A Isavia, entidade responsável pela gestão dos aeroportos islandeses, prevê cerca de 2,24 milhões de turistas estrangeiros em 2026, o que aponta para mais um ano de procura relativamente estável.

Agosto continua a ser o mês mais movimentado

A sazonalidade permanece uma das características mais marcantes do turismo islandês.

Agosto foi, em 2025, o mês com maior movimento de sempre no aeroporto de Keflavík, com cerca de 313 mil partidas de visitantes estrangeiros. Julho registou aproximadamente 302 mil.

Em conjunto, os dois meses representaram cerca de 27% de todas as partidas de visitantes estrangeiros registadas ao longo do ano.

A concentração da procura durante o verão continua a colocar pressão sobre os principais destinos e infraestruturas turísticas, ao mesmo tempo que aumenta o interesse da indústria em promover viagens durante a primavera, outono e inverno.



Islândia, Arctic Adventures

Americanos continuam a dominar, chineses registam crescimento recorde

Também a origem dos visitantes está a mudar.

Os Estados Unidos mantiveram-se como o principal mercado emissor para a Islândia em 2025, representando 29,2% das partidas de estrangeiros através de Keflavík. Foram cerca de 662 mil viajantes norte-americanos, mais 6,7% do que em 2024.

O Reino Unido manteve a segunda posição, embora o número de visitantes britânicos tenha diminuído quase 14% durante o ano.

O mercado chinês apresentou uma trajetória oposta. As chegadas de visitantes provenientes da China aumentaram cerca de 33% em termos homólogos, para aproximadamente 128 mil turistas, o valor anual mais elevado de sempre para este mercado.

A evolução confirma a importância crescente da diversificação dos mercados emissores numa altura em que o número total de visitantes apresenta uma evolução relativamente estável.

Experiências tradicionais continuam a liderar

Apesar das mudanças no comportamento dos viajantes, as experiências que tornaram a Islândia num dos principais destinos de natureza da Europa continuam a ter forte procura.

Nos primeiros seis meses de 2026, as grutas de lava, as grutas de gelo de Katla, o snorkeling em Silfra e os circuitos pela Costa Sul estiveram entre as atividades de um dia mais procuradas através da Arctic Adventures.

Em 2025, as atividades relacionadas com grutas de gelo e glaciares lideraram as reservas entre as diferentes categorias de experiências.

Mas começam também a surgir novas preferências.

Banhos termais e destinos menos explorados ganham espaço

O interesse por experiências ligadas às águas geotérmicas está a crescer, ao mesmo tempo que os turistas procuram cada vez mais zonas afastadas dos circuitos tradicionais.

Experiências que incluem novos ou renovados espaços termais, como Laugarás Lagoon, Secret Lagoon e Laugarvatn Fontana, estão a ganhar procura.

Em paralelo, aumenta o interesse por itinerários mais longos e por regiões menos visitadas, incluindo os Westfjords, no noroeste da Islândia.

A tendência pode contribuir para uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos pelo território islandês, reduzindo a concentração nos destinos mais conhecidos e permitindo que outras regiões beneficiem do crescimento da atividade.



Islândia, Arctic Adventures

Turismo representa quase 9% da economia islandesa

A importância económica do setor continua a ser significativa. Segundo resultados preliminares da Statistics Iceland, o turismo representou cerca de 8,8% do Produto Interno Bruto da Islândia em 2025.

No mesmo período, os estabelecimentos de alojamento registaram aproximadamente 10,2 milhões de dormidas.

Os números mostram que, apesar de o volume de visitantes ter entrado numa fase de estabilização, o turismo continua a desempenhar um papel central na economia do país.

A questão para os próximos anos poderá, por isso, deixar de ser apenas a capacidade de atrair mais turistas e passar pela forma como a Islândia consegue distribuir melhor essa procura ao longo do ano e do território.

A nova fase do turismo islandês

Para Ásgeir Baldurs, CEO da Arctic Adventures, a estabilização do número de visitantes representa uma oportunidade para o setor mudar de foco.

“Durante uma década, todos perguntaram até onde poderia crescer a Islândia. A estabilização permite-nos colocar uma questão melhor: quão boa podemos tornar cada viagem? É essa a competição que queremos vencer.”

Os dados de 2026 apontam precisamente nesse sentido. Com o número de visitantes a manter-se relativamente estável, a próxima fase do turismo islandês poderá ser definida menos pela quantidade e mais pela qualidade e distribuição da procura.

Os turistas continuam a procurar os grandes símbolos naturais do país, mas estão também a demonstrar maior interesse por experiências termais, viagens fora da época alta e regiões menos conhecidas.

Ao mesmo tempo, o momento da reserva varia cada vez mais consoante a estação: o verão é planeado com vários meses de antecedência, enquanto o inverno depende mais das condições meteorológicas e da disponibilidade de experiências específicas.

A Islândia parece, assim, estar a deixar para trás a fase de crescimento acelerado e a entrar num novo capítulo turístico — mais estável nos números, mas mais dinâmico nos comportamentos.