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Turismo fluvial no Douro ultrapassa 1,14 milhões de passageiros e pode atingir novo recorde em 2026

 

Turismo fluvial no Douro ultrapassa 1,14 milhões de passageiros e pode atingir novo recorde em 2026

20 de outubro de 2026

O turismo fluvial no Douro registou 1.142.540 passageiros até setembro de 2026, mais 0,6% do que no período homólogo, mantendo a trajetória de crescimento e a possibilidade de alcançar um novo máximo anual.

Segundo dados da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), divulgados esta segunda-feira, 19 de outubro, o movimento de passageiros na Via Navegável do Douro aumentou 14,13% face a igual período de 2023, apesar da desaceleração observada este ano.

Os cruzeiros realizados dentro da mesma albufeira, nomeadamente os passeios entre as pontes do Porto e Vila Nova de Gaia e os circuitos no Pinhão, continuam a dominar a atividade, com 913.582 passageiros, representando cerca de 80% do total. Este segmento cresceu 0,95% em relação a 2025.

Os navios-hotel transportaram 96.153 passageiros, mais 0,34% do que no período homólogo e 19,77% acima de 2023, confirmando a importância crescente dos cruzeiros de vários dias na oferta turística da região.


o Douro Queen da Douro Azul


Em sentido contrário, os cruzeiros de um dia registaram 125.482 passageiros, uma redução de 1,21%, enquanto a navegação de recreio contabilizou 7.323 passageiros, menos 6,94% do que no ano anterior.

Crescimento exige investimentos na navegação

A expansão do turismo fluvial está também a aumentar a pressão sobre as infraestruturas. A APDL identificou necessidades de investimento de cerca de 15 milhões de euros para melhorar as condições de segurança e operação na Via Navegável do Douro.

Entre as intervenções previstas estão o alargamento de dois troços do canal navegável, atualmente com cerca de 25 metros de largura, para pelo menos 40 metros, a motorização de eclusas e a construção de cais de espera para embarcações.



A bordo do Douro Queen.


A concretização destas obras depende, contudo, da obtenção de financiamento.

Com cerca de 200 quilómetros de extensão, entre a foz do Douro, no Porto, e Barca d'Alva, junto à fronteira espanhola, a via navegável dispõe de cinco eclusas que permitem vencer um desnível acumulado de 125 metros.

Património mundial impulsiona atratividade turística

O crescimento da atividade coincide com as comemorações dos 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, atribuída em dezembro de 2001.

Raquel Maia, da APDL, considera que esta distinção contribuiu para a projeção internacional da região e para a diversificação da oferta turística, que inclui passeios de curta duração, cruzeiros de um dia, navios-hotel e embarcações de recreio.

A responsável defende, contudo, que o crescimento deve ser acompanhado por uma gestão sustentável da atividade, conciliando o desenvolvimento turístico com as necessidades das populações e dos municípios ribeirinhos.

A Via Navegável do Douro, cuja exploração em toda a extensão foi inaugurada em outubro de 1990, assinala este ano 36 anos de funcionamento, consolidando-se como uma das principais infraestruturas de apoio ao turismo na região Norte.