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Trabalho híbrido está a mudar os escritórios: empresas procuram menos espaço, mas mais qualidade

5 de outubro de 2026

A consolidação dos modelos de trabalho híbrido está a alterar a relação das empresas com os escritórios. Mais do que reduzir a importância dos espaços físicos, a nova realidade está a obrigar as organizações a repensar a sua utilização, privilegiando localização, qualidade, flexibilidade e capacidade de promover colaboração.

O escritório corporativo está a atravessar uma transformação. A generalização do trabalho híbrido reduziu a necessidade de presença diária de muitos colaboradores, mas não eliminou a importância do espaço físico. Pelo contrário, está a mudar aquilo que as empresas procuram quando ocupam ou renovam um escritório.

A tendência passa cada vez mais por espaços capazes de justificar a deslocação dos trabalhadores. Áreas de colaboração, salas de reunião, zonas informais, espaços de concentração e ambientes multifuncionais começam a ganhar peso face ao tradicional modelo baseado em filas de postos de trabalho.

A remodelação do escritório da Adecco Portugal acompanha precisamente esta mudança. O novo espaço foi concebido para responder às novas formas de trabalhar, apostando na flexibilidade e na criação de diferentes ambientes, adaptados às necessidades das equipas ao longo do dia.

A transformação é particularmente relevante para o mercado imobiliário de escritórios. Num contexto em que as empresas procuram otimizar custos e áreas ocupadas, a qualidade dos imóveis ganha importância. O desafio deixa de ser apenas disponibilizar metros quadrados e passa por oferecer espaços capazes de contribuir para a produtividade, o bem-estar e a retenção de talento.

A localização continua a ser determinante, mas fatores como eficiência, conforto, sustentabilidade, tecnologia e qualidade dos espaços comuns assumem um papel cada vez mais relevante nas decisões de ocupação.

Para as empresas, o escritório passa também a funcionar como uma ferramenta de recursos humanos. Num mercado de trabalho competitivo, um espaço bem concebido pode contribuir para atrair profissionais, promover a interação entre equipas e reforçar a identidade corporativa.

“O futuro do trabalho não passa por escolher entre trabalho presencial ou remoto. Passa por criar ambientes que permitam às pessoas trabalhar da forma mais adequada a cada momento, promovendo colaboração, bem-estar e produtividade”, afirma Alexandra Andrade, CEO da Adecco Portugal.

Esta mudança está a alterar igualmente a forma como os próprios espaços são pensados. Em vez de uma utilização uniforme durante toda a semana, os escritórios precisam de acomodar diferentes níveis de ocupação e diferentes tipos de atividade. O desenho dos interiores torna-se, por isso, uma componente estratégica da gestão imobiliária das empresas.

“O escritório deixou de ser o lugar onde as pessoas vão trabalhar. Passou a ser o lugar onde se encontram para colaborar, aprender, inovar e reforçar a cultura da organização”, acrescenta Alexandra Andrade.

A evolução coloca novos desafios aos proprietários e promotores de edifícios de escritórios. Os ativos que apresentem maior flexibilidade e capacidade de adaptação às novas exigências poderão beneficiar de uma procura mais consistente, enquanto edifícios menos eficientes ou com menor capacidade de transformação poderão enfrentar maiores dificuldades para captar e reter ocupantes.

Ao mesmo tempo, a experiência do colaborador ganha importância na valorização dos espaços. Ergonomia, iluminação, conforto, áreas de convívio, tecnologia e diversidade de ambientes deixam de ser apenas elementos complementares para passarem a integrar a própria proposta de valor do escritório.

A mudança não significa, contudo, o desaparecimento do escritório tradicional, mas antes a sua transformação. O espaço corporativo tende a assumir uma função mais orientada para aquilo que o trabalho remoto não consegue reproduzir: o encontro, a colaboração, a aprendizagem, a criatividade e a construção de relações.

É também por isso que o futuro do mercado de escritórios poderá passar menos pela quantidade de espaço ocupado e mais pela sua qualidade e capacidade de utilização. Empresas e investidores terão de avaliar não apenas quantos metros quadrados são necessários, mas que tipo de espaço será capaz de responder às necessidades das organizações nos próximos anos.

A inauguração do novo escritório da Adecco Portugal, prevista para outubro, surge assim como um exemplo de uma transformação mais ampla no mercado: num cenário de trabalho híbrido, o escritório não desaparece — reinventa-se para voltar a ter valor na experiência profissional e na estratégia imobiliária das empresas.