
Habitação
Subida dos juros do BCE deverá aumentar prestações da casa e dificultar acesso ao crédito
A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de voltar a aumentar as taxas de juro directoras deverá traduzir-se num novo agravamento dos encargos com o crédito à habitação para milhares de famílias portuguesas, ao mesmo tempo que poderá tornar mais difícil o acesso ao financiamento para quem pretende comprar casa.
Depois de um período de estabilidade, o BCE decidiu subir a taxa de depósitos em 25 pontos-base, para 2,25%, justificando a medida com o regresso das pressões inflaccionistas na Zona Euro. A inflação voltou a acelerar para 3,2%, acima da meta de 2% definida pela instituição liderada por Christine Lagarde, num contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, conflitos armados e incerteza económica.
A decisão deverá reflectir-se na evolução da Euribor, principal indexante dos contratos de crédito à habitação em Portugal, pressionando em alta as prestações dos empréstimos com taxa variável ao longo dos próximos meses.
Segundo as estimativas da Deco PROteste, caso a Euribor acompanhe uma subida equivalente de 0,25 pontos percentuais, uma família com um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, com spread de 1% e indexado à Euribor a seis meses, poderá ver a prestação mensal aumentar cerca de 21 euros, passando de 676,58 para 697,74 euros.
Num financiamento de 250 mil euros, a prestação subiria aproximadamente 35 euros por mês, de 1.127,64 para 1.162,90 euros, enquanto um empréstimo de 350 mil euros registaria um agravamento próximo dos 50 euros mensais, elevando a prestação de 1.578,70 para 1.628,06 euros.
Embora o impacto dependa da data de revisão do contrato, do prazo remanescente e do montante em dívida, a associação de defesa do consumidor considera que a tendência aponta para um aumento gradual dos encargos das famílias durante o segundo semestre.
Além dos efeitos sobre quem já possui crédito à habitação, a subida dos juros poderá também dificultar a aquisição de casa por novos compradores. A Deco PROteste lembra que está em discussão a eventual revisão de algumas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal, entre elas uma possível redução da taxa de esforço máxima recomendada na concessão de novos empréstimos.
Caso essa alteração avance, poderá restringir ainda mais o acesso ao crédito, sobretudo para famílias com rendimentos mais limitados, numa altura em que o custo da habitação continua elevado.
"A subida das taxas de juro não afecta apenas quem já tem crédito à habitação. Também pode tornar mais difícil o acesso à compra de casa para milhares de famílias que estão actualmente a preparar um pedido de financiamento. É fundamental que os consumidores avaliem cuidadosamente a sua capacidade financeira antes de assumirem novos encargos", alerta a Deco PROteste.
Perante este cenário, a associação aconselha os consumidores a acompanhar regularmente as condições dos seus contratos, comparar propostas entre instituições financeiras e recorrer a simuladores de crédito para antecipar o impacto de futuras alterações das taxas de juro. A recomendação passa ainda por reforçar a margem financeira das famílias, numa conjuntura que continua marcada pela elevada incerteza económica e pela volatilidade dos mercados.















