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Procura por obras e remodelações dispara 93%, mas falta de mão-de-obra trava resposta do sector

10 de julho de 2026

A procura por serviços de construção, remodelação e reabilitação de habitações em Portugal continua a acelerar. No primeiro semestre de 2026, os pedidos registados na plataforma Fixando cresceram 93% face ao mesmo período do ano passado, reflectindo o aumento do investimento das famílias na valorização das suas casas.

Apesar do dinamismo da procura, o sector enfrenta um problema crescente: a falta de profissionais disponíveis para responder às solicitações dos clientes. Segundo a plataforma, apenas 28% dos pedidos recebem actualmente resposta dos especialistas, quando em 2025 essa taxa rondava os 75%.

Para a Fixando, esta evolução evidencia um desequilíbrio cada vez maior entre a procura e a capacidade instalada do sector.

"Estes números mostram um mercado muito dinâmico, mas também revelam um desequilíbrio entre a procura e a oferta de profissionais. Há cada vez mais portugueses a querer construir, remodelar ou reabilitar as suas casas, mas a disponibilidade dos especialistas não está a acompanhar esse crescimento", afirma Alice Nunes, directora de novos negócios da Fixando.

Remodelações e construção continuam a ganhar peso

Os dados mostram que o investimento na habitação está a assumir diferentes formas, desde pequenas intervenções até projetos de maior dimensão.

Entre os serviços mais procurados destacam-se a remoção de lixo e entulho, responsável por 27% dos pedidos, seguindo-se a construção de casas modulares (13%), trabalhos de construção civil (12%), remodelações (12%) e obras em habitações (10%). A remoção de amianto representa ainda 6% das solicitações.

Segundo a plataforma, este perfil demonstra que os consumidores continuam a apostar tanto na modernização de imóveis existentes como em novas soluções habitacionais, acompanhando a crescente procura por reabilitação e valorização do património residencial.

Lisboa concentra maior procura

A distribuição geográfica dos pedidos mantém Lisboa na liderança, concentrando 27% das solicitações registadas pela plataforma.

O Porto surge na segunda posição, com 14%, seguido de Setúbal, que representa 12% da procura nacional.

Aveiro, Braga, Faro, Leiria e Santarém surgem igualmente entre os distritos mais activos, cada um com cerca de 6% dos pedidos, revelando que a procura por serviços de construção e remodelação se encontra hoje disseminada por praticamente todo o território.

Escassez de profissionais preocupa sector

Para a Fixando, o principal desafio passa agora por reforçar a capacidade de resposta do mercado.

A forte subida da procura, associada à escassez de mão-de-obra especializada, poderá traduzir-se em prazos de execução mais longos, agendas completamente preenchidas e maior dificuldade para os consumidores encontrarem profissionais disponíveis para iniciar novos projectos.

Ao mesmo tempo, este cenário abre novas oportunidades para empresas e trabalhadores independentes do sector da construção e reabilitação, num contexto em que a procura continua a crescer a um ritmo muito superior à oferta disponível.

A plataforma considera que, sem um reforço da capacidade produtiva e da disponibilidade de profissionais, a pressão sobre o sector poderá intensificar-se nos próximos meses, acompanhando a dinâmica que continua a marcar o mercado da habitação em Portugal.