
Preços das casas abrandam em três quartos dos concelhos de Portugal
A subida dos preços de venda das casas abrandou na maioria do território português durante o segundo trimestre de 2026. De acordo com os Índices de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário (Ci), 210 dos 278 concelhos de Portugal Continental — o equivalente a 76% dos mercados monitorizados — registaram uma redução da taxa de crescimento homólogo face ao final de 2025.
A desaceleração surge depois de um período de forte valorização do imobiliário residencial. No final de 2025, os preços das casas cresciam mais de 20% em 193 concelhos, correspondentes a 69% dos mercados analisados. Em 32 desses concelhos, a valorização ultrapassava mesmo os 30%.
No segundo trimestre deste ano, o número de concelhos com aumentos superiores a 20% caiu para 115, ou 41% do total. Ainda assim, dez mercados mantêm taxas de crescimento homólogo acima dos 30%, revelando que, apesar da perda de ritmo, a pressão sobre os preços continua elevada em várias zonas do país.
Maioria dos mercados abranda até cinco pontos percentuais
A intensidade do abrandamento varia significativamente entre os diferentes concelhos. Em 126 dos 210 mercados onde a subida dos preços perdeu velocidade — cerca de 60% — a redução da taxa de crescimento não ultrapassou os cinco pontos percentuais.
Nos restantes 84 concelhos, correspondentes a 40% dos mercados em desaceleração, a quebra foi mais expressiva. Em mais de duas dezenas de concelhos, a diferença face ao final de 2025 atingiu pelo menos dez pontos percentuais.
Os dados apontam, assim, para uma correção gradual do ritmo de valorização, embora os preços continuem a apresentar taxas de crescimento historicamente elevadas em grande parte do território.
Lisboa abranda de 18,2% para 11,1%
A tendência é particularmente visível nos dois principais centros urbanos do país. Em Lisboa, a taxa de variação homóloga dos preços das casas passou de 18,2% no final de 2025 para 11,1% no segundo trimestre de 2026.
Trata-se da quebra de ritmo mais significativa entre os mercados da região envolvente da capital.
Na Área Metropolitana de Lisboa, 12 dos 18 concelhos, incluindo Lisboa, registaram uma desaceleração da valorização. Apesar disso, a região continua a apresentar crescimentos muito expressivos.
O Seixal e a Moita destacam-se pela evolução em sentido contrário à tendência predominante, com taxas de crescimento homólogo de 29,5% e 34,6%, respetivamente.
Porto também perde ritmo, mas preços continuam a subir
Na Área Metropolitana do Porto, o cenário é semelhante. Seis dos nove concelhos registaram uma desaceleração da valorização, acompanhando a evolução observada na cidade do Porto.
No município do Porto, a taxa de crescimento homólogo passou de 16,6%, no final de 2025, para 14,6% no segundo trimestre de 2026.
Ainda assim, alguns mercados da região continuam a apresentar aumentos bastante superiores. Valongo e Gondomar lideram a valorização, com crescimentos homólogos de 26,1% e 27,1%, respetivamente.
Algarve mantém forte valorização
No Algarve, Faro apresenta a desaceleração mais acentuada, com a taxa de crescimento homólogo dos preços a passar de 25,9% para 17,5%.
A tendência é acompanhada por outros 11 dos 16 concelhos algarvios. Apesar da perda de ritmo, a região continua a registar uma forte valorização imobiliária, com a maioria dos mercados a apresentar aumentos superiores a 15%.
Olhão apresenta a taxa mais elevada, com uma subida homóloga de 28,8%.
68 concelhos contrariam tendência nacional
Apesar de a desaceleração abranger a maioria dos mercados, 68 concelhos — 24% do total — registaram no segundo trimestre uma taxa de crescimento homólogo superior à observada no final de 2025.
Entre estes encontram-se vários municípios das áreas metropolitanas e do Algarve. Na Área Metropolitana de Lisboa, destacam-se Mafra, Cascais, Loures, Odivelas, Seixal e Moita. Na Área Metropolitana do Porto, a valorização acelerou na Maia, em Valongo e em Vila do Conde.
No Algarve, Loulé, Lagoa, Albufeira e Silves também contrariaram a tendência predominante.
A mesma situação verifica-se em algumas capitais de distrito. Coimbra, Beja, Viseu e Leiria registaram uma intensificação do crescimento dos preços. Vila Real, por sua vez, manteve no segundo trimestre a mesma taxa de variação homóloga registada no final de 2025.
Mercado ajusta-se a novo patamar de preços
Para Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, a desaceleração observada na maioria dos concelhos traduz um processo de ajustamento do mercado após um período de valorização excecional.
“O abrandamento da valorização em três quartos dos concelhos do país, incluindo os principais centros urbanos, mostra que o mercado está a ajustar-se a um novo patamar de preços, depois de um período de subidas historicamente elevadas”, afirma.
Segundo o responsável, o ajustamento está a ocorrer de forma gradual e mantém-se sustentado por taxas de crescimento ainda significativas. Para Ricardo Guimarães, os dados indicam que o desequilíbrio entre a oferta e a procura de habitação continua sem resolução na generalidade do território.
Os Índices de Preços Ci são calculados com base nos dados reportados ao SIR — Sistema de Informação Residencial. A informação abrange os 278 concelhos de Portugal Continental, permitindo acompanhar a evolução dos preços de venda das casas à escala local.















