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Metro de Lisboa reconhece (enfim) falhas na manutenção de escadas rolantes e elevadores
O Metropolitano de Lisboa admite que a manutenção das escadas rolantes e dos elevadores da rede é actualmente “bastante crítica”, após vários anos de agravamento das avarias sem resposta eficaz.
Ouvida na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, a presidente do conselho de administração, Cristina Vaz Tomé, revelou que os problemas têm vindo a intensificar-se desde 2019, ano em que a taxa de avarias rondava os 4%. Em 2024, esse valor subiu para cerca de 14% nas escadas rolantes e 24% nos elevadores.
“Durante cinco anos, assistiu-se ao aumento das taxas de avaria sem que fossem adoptadas soluções eficazes”, afirmou a responsável, que está em funções há cerca de três meses.
A explicação, segundo a gestora, não reside apenas no modelo de manutenção, mas também na forma como os contratos foram estruturados. Em muitos casos, os fornecedores não eram penalizados por falhas recorrentes, o que permitia que equipamentos fossem reparados e voltassem a avariar pouco depois — sem consequências contratuais.
Aumentam as reclamações
A situação era agravada pela falta de articulação interna. Quem adquiria os equipamentos não dialogava com as equipas responsáveis pela manutenção, o que resultava na compra de soluções nem sempre adequadas à capacidade de operação ou à disponibilidade de peças.
Perante este cenário, a nova administração decidiu revogar o modelo contratual em vigor e lançar um novo processo, que articula aquisição e manutenção, com o objectivo de garantir maior responsabilização dos fornecedores e melhor adequação técnica.
Os números ajudam a explicar a dimensão do problema — e a familiaridade dos utentes com escadas paradas e elevadores fora de serviço. Em 2024, o metro liderou as reclamações nos transportes públicos, com 525 queixas relacionadas com escadas mecânicas e 420 com elevadores.
Ainda assim, a empresa apontou um índice médio de disponibilidade dos elevadores de 85%, um valor que, dependendo da estação — e da pressa do utilizador — pode parecer mais teórico do que prático.
Com as intervenções concluídas em estações como Campo Pequeno e Picoas, a rede passou a contar com 46 estações com equipamentos de acessibilidade, o equivalente a cerca de 82% do total. Falta saber se, além de existirem, estarão efectivamente a funcionar quando são mais necessários.
Lusa/DI
















