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Logística, habitação e data centers deverão liderar próximo ciclo de crescimento do imobiliário

14 de julho de 2026

A logística, a habitação e os ativos associados à digitalização da economia deverão assumir o protagonismo do próximo ciclo de crescimento do mercado imobiliário. A conclusão é da Colliers, que identifica estes segmentos como os mais bem posicionados para atrair investimento nos próximos anos, num contexto marcado pela recuperação da confiança dos investidores e por uma maior seletividade na aplicação de capital.

Segundo a consultora, a evolução das cadeias de abastecimento, a expansão do comércio electrónico, os défices estruturais de oferta habitacional e o crescimento da economia digital estão a impulsionar a procura por activos capazes de oferecer rendimento estável e maior resiliência perante um contexto económico ainda marcado pela incerteza.

Para Pedro Valente, director-geral da Colliers em Portugal, o mercado imobiliário está a entrar numa nova fase, em que a capacidade de adaptação dos activos será determinante para a criação de valor. "O próximo ciclo imobiliário será marcado por uma maior disciplina na alocação de capital, pela integração da sustentabilidade nas decisões de investimento e por uma crescente procura de ativos capazes de gerar rendimento estável num contexto económico em transformação", afirma.

O responsável considera ainda que o sucesso dos investimentos dependerá cada vez mais da resposta às transformações económicas, tecnológicas, ambientais e sociais que estão a redesenhar o setor imobiliário. "Num contexto de transformação acelerada, a resiliência emerge como o principal critério para a criação de valor sustentável no imobiliário corporativo, influenciando decisões de investimento, ocupação e gestão de activos a nível global", acrescenta Pedro Valente.

Investidores regressam ao mercado

Depois de um período de ajustamento provocado pela subida das taxas de juro e pela instabilidade económica internacional, a Colliers observa um regresso gradual da confiança dos investidores. A melhoria das condições de financiamento e a estabilização dos preços estão a criar novas oportunidades de investimento, sobretudo nos segmentos considerados mais resilientes, como a logística, a habitação, os data centers e outros activos ligados à economia digital.

Paralelamente, verifica-se uma mudança nos critérios de investimento. Os investidores privilegiam edifícios de elevada qualidade, localizações estratégicas e activos capazes de cumprir exigências crescentes em matéria de eficiência energética e sustentabilidade.

Para Pedro Valente, esta transformação está a alterar profundamente o perfil dos ativos mais valorizados pelo mercado. "A procura por activos 'future-proof' está a redefinir os critérios de investimento. A sustentabilidade deixou de ser apenas um fator de diferenciação para se tornar um elemento essencial na preservação de valor e na atração de capital".

Crédito continua selectivo

Apesar da melhoria gradual das condições de financiamento, a consultora alerta que o acesso ao crédito continua a ser um factor diferenciador. As instituições financeiras mantêm critérios rigorosos na avaliação dos projectos, privilegiando operações com fundamentos sólidos, modelos de negócio robustos e estratégias claras de criação de valor.

Este contexto está igualmente a favorecer operações de reabilitação e reposicionamento de activos, sobretudo nos principais mercados urbanos, onde os investidores procuram modernizar edifícios para responder às novas exigências dos ocupantes.

Ao mesmo tempo, a Colliers antecipa um aumento da diferença entre activos modernos e edifícios obsoletos. Os imóveis que não acompanhem a evolução tecnológica e os requisitos ambientais deverão enfrentar maior pressão sobre as rendas, a ocupação e a liquidez, reforçando a importância da sustentabilidade como factor de competitividade no mercado imobiliário.