
Pedro Rutkowski, CEO da Worx Real Estate Consultants
Investimento imobiliário comercial em Portugal pode atingir 2.750 milhões de euros em 2026
O mercado registou 2.100 milhões de euros de investimento até setembro, mais 11% do que no mesmo período de 2025. Retalho e hotelaria concentraram cerca de 59% do volume total, segundo a Worx.
O investimento em imobiliário comercial em Portugal atingiu 2.100 milhões de euros entre janeiro e setembro de 2026, um crescimento de 11% face ao período homólogo. Para o conjunto do ano, a Worx Real Estate Consultants estima que o volume de investimento fique entre 2.600 e 2.750 milhões de euros.
As projeções constam do relatório WOutlook Q3, divulgado esta terça-feira, 3 de novembro, que analisa a evolução do mercado imobiliário comercial português num contexto internacional marcado pela incerteza económica e geopolítica.
O retalho foi o segmento com maior volume de investimento nos primeiros nove meses do ano, ao captar cerca de 620 milhões de euros, equivalentes a 30% do total. A hotelaria ficou muito próxima, com aproximadamente 610 milhões de euros, representando 29%. Em conjunto, os dois setores concentraram cerca de 1.230 milhões de euros.
Entre as principais operações realizadas no período, a Worx destaca a aquisição do Arrábida Shopping e do Gaia Shopping por 180 milhões de euros, a maior transação do ano identificada pela consultora. Na hotelaria, uma das operações de maior dimensão foi a venda de uma participação de 72% no Corinthia Lisboa ao Orion Capital Managers, por cerca de 150 milhões de euros.
Investidores estrangeiros representam 68% do capital
Os ativos alternativos representaram 10% do investimento imobiliário comercial até setembro. Neste segmento, destacaram-se as transações envolvendo centros de dados, cuja atratividade tem aumentado no contexto da expansão da inteligência artificial.
O capital estrangeiro continuou a ter um peso significativo no mercado português, representando cerca de 68% do investimento registado até ao final do terceiro trimestre. Entre os investidores internacionais, sobressaem os provenientes do Reino Unido, de França e de Espanha.
Quanto às taxas de rendibilidade de referência, a WORX antecipa estabilidade até ao final do ano, num contexto de dinamismo do mercado nacional.
Silvia Dragomir, Head of Research da WORX, estima que o investimento imobiliário comercial termine 2026 entre 2.600 e 2.750 milhões de euros, o que corresponderá a uma variação anual entre -5% e 0%. A responsável aponta ainda para uma recuperação mais expressiva dos níveis de investimento anteriores à pandemia em 2027.
Escritórios, logística e novos segmentos entre as oportunidades
Para Pedro Rutkowski, CEO da Worx Real Estate Consultants, Portugal mantém a capacidade de atrair investimento apesar da incerteza internacional, beneficiando da localização estratégica, da estabilidade e da resiliência do mercado.
O responsável identifica oportunidades em vários segmentos. Nos escritórios, a procura valoriza cada vez mais a localização, a qualidade e o conforto dos espaços. No retalho, os centros comerciais e os retail parks continuam a captar o interesse dos investidores, enquanto a logística beneficia da expansão empresarial e industrial.
A Worx destaca também o crescimento do interesse por residências de estudantes, residências seniores e projetos de flex-living, além da hotelaria, incluindo novos conceitos associados ao agroturismo e ao turismo de natureza.
Pedro Rutkowski considera que a confiança será determinante para sustentar o crescimento, sobretudo no setor residencial. O responsável aponta ainda a construção industrializada e as soluções de produção própria de energia como fatores que poderão contribuir para aumentar a oferta, melhorar a eficiência e reduzir custos.
O WOutlook Q3 reúne os dados mais recentes do mercado imobiliário comercial português e apresenta projeções quantitativas periódicas. Segundo a WORX, é o primeiro relatório nacional a divulgar regularmente estimativas de fecho de ano para os principais indicadores do setor.















