Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Governo quer antecipar para 2034 primeiro avião no Novo Aeroporto de Lisboa

avião

Governo quer antecipar para 2034 primeiro avião no Novo Aeroporto de Lisboa

28 de setembro de 2026

O Governo quer antecipar para 2034 a entrada em funcionamento do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), em Alcochete, apesar de a atual previsão da ANA apontar para 2035/36. O objetivo foi revelado pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, durante a VIII Cimeira do Turismo Português, em Lisboa.

O governante afirmou ter enviado uma carta à ANA a pedir “um esforço coletivo” para antecipar para 2034 a aterragem do primeiro avião no novo aeroporto.

Miguel Pinto Luz admitiu, contudo, que o custo final do NAL ainda não é conhecido, uma vez que dependerá da definição do projeto. “No final, saberemos quanto custa e como se paga, com total transparência”, afirmou.

O projeto apresentado em julho aponta para uma estimativa de investimento entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros.

Financiamento será 100% privado

O ministro das Infraestruturas e Habitação garantiu que a construção do novo aeroporto será realizada com investimento integralmente privado.

“Será com investimento 100% privado. Desse modelo de financiamento não abdicamos”, afirmou Miguel Pinto Luz, acrescentando que Governo e concessionária têm mantido um “estreito diálogo permanente”.

De acordo com o calendário previsto, a ANA deverá entregar o relatório financeiro do NAL em janeiro de 2027 e o relatório final em janeiro de 2028. Depois dessa entrega, o Governo pretende tomar uma decisão no prazo de três meses.

“No final do primeiro trimestre de 2028, tomaremos a decisão de convidar ou não a ANA e arrancaremos com a construção”, afirmou o ministro.

ANA admite prolongar concessão

No painel seguinte, o presidente da administração da ANA, José Luís Arnaut, revelou que a concessionária está interessada em prolongar a concessão dos aeroportos nacionais para além de 2062, prazo atualmente previsto para o seu término.

A possibilidade surge depois de ter sido recusado o pedido da ANA para aumentar as taxas aeroportuárias nas infraestruturas sob a sua gestão.

Segundo José Luís Arnaut, o prolongamento da concessão permitiria atenuar o esforço financeiro associado ao investimento no novo aeroporto. A ANA pretende adiantar o investimento através de capitais próprios do grupo Vinci, assumindo o risco de tráfego, enquanto a propriedade da infraestrutura reverterá para o Estado.

ANA admite antecipar calendário

Questionado sobre o objetivo do Governo de colocar o aeroporto em funcionamento em 2034, José Luís Arnaut afirmou que a ANA “partilha dos mesmos interesses do Governo”, desde que os prazos sejam encurtados.

O responsável explicou que a antecipação dependerá também da rapidez das entidades envolvidas na apreciação do projeto, nomeadamente a APA, o ICNF e o Ministério das Finanças.

Segundo Arnaut, se estas entidades reduzirem os seus próprios prazos e houver uma agilização dos procedimentos dentro da legalidade, será possível antecipar o início da construção.

TAP só definirá operação após relatório final

O presidente da administração da TAP, Carlos Oliveira, afirmou que a companhia aérea só deverá adequar a sua operação ao novo aeroporto depois de conhecido o relatório final, previsto para o início de 2028.

Até lá, a principal preocupação da transportadora é a evolução do preço do jet fuel, que, segundo o responsável, tem vindo a aumentar desde o início da guerra no Médio Oriente.

Turismo deve criar mais valor

A discussão sobre o novo aeroporto surgiu no âmbito da VIII Cimeira do Turismo Português, onde também foi analisada a evolução do setor perante a nova conjuntura internacional.

No painel que antecedeu o debate sobre o NAL, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, o presidente da PwC Portugal, António Brochado Correia, e o presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, analisaram os indicadores que sustentam o crescimento do turismo português.

Os participantes defenderam a necessidade de o país continuar a criar “melhor valor” através do turismo, em vez de centrar a estratégia exclusivamente na captação de mais turistas ou no aumento do número de dormidas.

O novo aeroporto de Lisboa surge, assim, como um dos principais temas em discussão sobre a capacidade futura das infraestruturas nacionais, com o Governo a procurar antecipar a sua entrada em funcionamento e a ANA a admitir a necessidade de encurtar os prazos associados ao projeto.

DI com LUSA