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Escassez de residências universitárias deixa 119 mil estudantes dependentes do mercado de arrendamento

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Escassez de residências universitárias deixa 119 mil estudantes dependentes do mercado de arrendamento

7 de agosto de 2026

Portugal enfrenta um défice de cerca de 119 mil camas em residências universitárias, obrigando milhares de estudantes deslocados e internacionais a recorrer ao mercado de arrendamento tradicional, segundo um estudo da consultora imobiliária CBRE.

De acordo com a análise, a procura por alojamento estudantil especializado (PBSA – Purpose-Built Student Accommodation) ascende actualmente a cerca de 227 mil estudantes, dos quais 147 mil são estudantes nacionais deslocados e mais de 80 mil são internacionais. No entanto, o país dispõe de apenas 28 mil camas em residências públicas e privadas.



Oferta escassa e não acompanha procura...

Mesmo com a entrada prevista de cerca de 3.000 novas camas até 2027, sobretudo em Lisboa e no Porto, a oferta continuará insuficiente para acompanhar o crescimento da procura, mantendo Portugal entre os mercados europeus com menor taxa de cobertura neste segmento.

Segundo a CBRE, este desequilíbrio tem impulsionado o investimento no sector. Desde 2019, o segmento das residências universitárias captou cerca de 1,2 mil milhões de euros, dos quais 98% provenientes de investidores internacionais, sobretudo do Canadá, Bélgica e Estados Unidos.



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A consultora destaca que o aumento do número de estudantes deslocados e internacionais continua a reforçar o interesse dos investidores, sustentado pela atractividade das instituições de ensino portuguesas, pela segurança do país e pelo custo de vida competitivo.

Apesar da pressão sobre as rendas, Portugal continua a apresentar valores inferiores aos de outros mercados europeus. As rendas medianas nas residências universitárias situam-se nos 855 euros mensais em Lisboa e 745 euros no Porto, abaixo de cidades como Londres, Dublin, Milão ou Madrid.



Assimetrias territoriais

O estudo identifica ainda fortes assimetrias territoriais. Cerca de 90% da oferta privada concentra-se em Lisboa, Porto e Coimbra, enquanto distritos do interior, como Vila Real, Castelo Branco e Évora, apresentam elevadas taxas de estudantes deslocados, mas continuam com escassa oferta de alojamento especializado.

Para Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, o forte desequilíbrio entre procura e oferta, aliado ao crescente número de estudantes internacionais, torna o mercado português das residências universitárias "um dos destinos mais atractivos para o investimento institucional na Europa".