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Coldwell Banker Portugal aumenta vendas em 27% no 1.º semestre, apesar de maior tempo de comercialização

19 de outubro de 2026

A Coldwell Banker Portugal encerrou o primeiro semestre de 2026 com um volume de negócios de 82,8 milhões de euros, um crescimento de 7,7% face aos 76,9 milhões registados no mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho, a rede imobiliária vendeu 178 habitações, mais 27% do que as 140 comercializadas um ano antes.

O ritmo de atividade intensificou-se no segundo trimestre. Entre abril e junho, foram vendidas 98 habitações, um aumento de 53% face ao período homólogo e acima das 80 transações realizadas nos primeiros três meses do ano.

Os apartamentos estiveram na origem de grande parte deste crescimento. No primeiro semestre, a rede vendeu 140 apartamentos, contra 104 no mesmo período de 2025. Os T2 passaram de 54 para 74 vendas, enquanto os T1 mais do que duplicaram, de 12 para 27. Já o segmento das moradias manteve um ritmo de comercialização próximo do registado no ano anterior.

Apartamentos mais pequenos impulsionam a procura

O crescimento das vendas de T1 e T2 coincide com uma maior participação dos jovens no mercado da primeira habitação. Até ao final de junho, mais de 112 mil jovens tinham beneficiado da isenção de IMT e Imposto do Selo, segundo dados do Governo. No mesmo período, a garantia pública representava 45,2% dos contratos de crédito à habitação celebrados por jovens para aquisição de casa.

Estas medidas, ao reduzirem os custos iniciais de compra e facilitarem o acesso ao financiamento, poderão estar a contribuir para a procura de apartamentos de menor dimensão.

Frederico Abecassis, CEO da Coldwell Banker Portugal, considera positivo o acesso de mais jovens à primeira habitação, mas alerta para a necessidade de alargar as soluções disponíveis a outros perfis de compradores.

"O acesso à habitação não pode ficar limitado a quem tem até 35 anos nem depender de encontrar um T1. Uma família da classe média que precisa de mais espaço também tem de encontrar uma casa que consiga pagar", afirma.

O responsável adverte ainda que, sem um aumento da oferta ajustada aos rendimentos das famílias, os incentivos à compra poderão intensificar a concorrência pelos mesmos imóveis.


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Valor médio de venda residencial sobe para 383 mil euros

O valor médio dos imóveis vendidos no segmento residencial regular atingiu 383.732 euros no primeiro semestre, face aos 333.203 euros registados um ano antes. A diferença reflete também a composição dos imóveis transacionados em cada período.

No segmento de luxo, definido pela rede como habitações vendidas por um milhão de euros ou mais, o valor médio de venda foi de 1.554.064 euros.

A atividade de arrendamento também contribuiu para os resultados da empresa, com 68 contratos concluídos, dos quais 58 relativos a imóveis residenciais.

O desempenho da Coldwell Banker Portugal contrasta com a evolução nacional do número de transações. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), foram vendidas 40.142 habitações em Portugal no segundo trimestre de 2026, menos 6,4% do que no período homólogo. Ainda assim, o valor total das vendas aumentou 4,2%, para 10,7 mil milhões de euros, enquanto o índice de preços da habitação subiu 16,5% em termos homólogos.

Imóveis demoram mais tempo a ser vendidos

Apesar do aumento da atividade da rede, os dados revelam um mercado mais exigente. O tempo médio de comercialização dos imóveis acompanhados pela Coldwell Banker Portugal passou de 107 para 119 dias.

Para os proprietários, este prolongamento significa que um preço de venda desalinhado com a procura pode traduzir-se em mais semanas no mercado sem uma proposta consistente. Para os compradores, poderá refletir uma postura mais ponderada, comparativa e negocial.

"O mercado não parou. Há compradores e há financiamento, mas a decisão tornou-se mais ponderada. Hoje, a qualidade da avaliação inicial e o trabalho feito durante a comercialização pesam mais do que pesavam há um ano", explica Frederico Abecassis.

O responsável considera que a adequação do preço e a estratégia de comercialização assumem uma importância crescente num contexto em que nem todos os imóveis respondem da mesma forma às condições da procura.


Frederico Abecassis - CEO da Coldwell Banker Portugal

Crédito à habitação continua a sustentar a procura

Os dados do financiamento apontam para uma procura ainda significativa. Em julho, segundo o Banco de Portugal, os novos contratos de crédito à habitação atingiram um recorde de 2.345 milhões de euros.

Contudo, os encargos das famílias continuam sob pressão. Em agosto, a prestação média dos contratos de crédito à habitação em vigor era 24 euros superior à registada um ano antes. A subida das taxas Euribor em setembro poderá representar custos adicionais para quem pondera comprar casa, enquanto o aumento do preço dos combustíveis poderá reduzir a margem disponível nos orçamentos familiares.

Perante este cenário, a Coldwell Banker Portugal antecipa processos de decisão mais longos, sobretudo nas aquisições que dependem mais do recurso ao crédito.

Frederico Abecassis afasta, ainda assim, a ideia de que o mercado português esteja a repetir uma bolha imobiliária assente em concessões de crédito sem critérios adequados.

"A oferta continua insuficiente em muitas localizações, existe procura efetiva e o Banco de Portugal revelou, no início do ano, que 94% dos novos créditos à habitação e ao consumo concedidos em 2025 tinham um rácio DSTI igual ou inferior a 50%", afirma.

O CEO reconhece, porém, que nem todos os preços estão justificados. Recorda que o Banco de Portugal também identificou sinais de sobrevalorização e admitiu o risco de uma correção, defendendo uma leitura diferenciada do mercado.

"O erro seria ler o mercado como se todas as casas e todos os compradores fossem iguais. O que vamos ver é uma diferença cada vez maior entre imóveis ajustados à procura e imóveis que ficam meses à espera de uma revisão de preço", acrescenta.

Compradores internacionais reforçam o segmento premium

A procura internacional continua a representar uma componente relevante do mercado imobiliário português. No final de 2025, residiam em Portugal cerca de 1,6 milhões de cidadãos de nacionalidade estrangeira, correspondentes a 14% da população, segundo o INE.

No segundo trimestre de 2026, compradores com domicílio fiscal fora de Portugal adquiriram 1.890 habitações, equivalentes a 4,7% das vendas nacionais.

Portugal mantém também visibilidade junto dos compradores internacionais de imóveis de gama alta. Num estudo conjunto da Coldwell Banker Global Luxury e da JamesEdition, publicado em julho, o país surge como o quinto destino de investimento imobiliário premium mais procurado pelos utilizadores da plataforma no primeiro semestre, concentrando 5,7% das pesquisas e dos pedidos de informação.

"Quando a procura local abranda, poder apresentar um imóvel a compradores de outros mercados faz diferença. A presença da Coldwell Banker em 50 países dá-nos essa possibilidade, sobretudo nos imóveis de maior valor", refere Frederico Abecassis, ressalvando que a presença internacional não substitui o conhecimento do mercado português nem resolve problemas de definição de preços.

Rede reforça equipa e presença territorial

O crescimento da atividade foi acompanhado pelo reforço da estrutura operacional da Coldwell Banker Portugal. Entre janeiro e junho, a empresa recrutou 70 profissionais, mais 20 do que no primeiro semestre de 2025, e entrou em novos mercados através da integração de agências em Lisboa e Aljezur.

No final de junho, a rede tinha 1.018 imóveis em carteira, face a 977 um ano antes, e estava presente em 41 concelhos.

Até ao final de 2026, a prioridade será reduzir o intervalo entre a angariação e a venda dos imóveis. A estratégia passa por rever mais cedo os preços das casas sem resposta do mercado, melhorar a apresentação dos imóveis e acompanhar de forma próxima os compradores com capacidade para avançar.

"Crescer de forma sustentável é conseguir resultados também quando vender exige mais tempo e mais rigor. É aí que se vê a qualidade de uma rede", conclui o CEO da Coldwell Banker Portugal.