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China: Preços das casas novas caem 2,8% em setembro e prolongam crise imobiliária

Xangai - Imagem magnific.com

China: Preços das casas novas caem 2,8% em setembro e prolongam crise imobiliária

19 de outubro de 2026

Os preços das casas novas na China recuaram 2,8% em setembro, face ao mesmo mês de 2025, prolongando a tendência de desvalorização do mercado imobiliário que se mantém desde junho de 2023, segundo dados oficiais divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística da China.

De acordo com os cálculos da Reuters, baseados nos dados do INE chinês, os preços das habitações novas nas 70 principais cidades do país diminuíram 0,1% face a agosto, mantendo o ritmo de descida do mês anterior.

Em termos homólogos, a queda abrandou de 3% em agosto para 2,8% em setembro, revelando sinais de estabilização em alguns mercados, embora a recuperação continue desigual.

Nas quatro maiores cidades chinesas, os preços das casas novas aumentaram 0,1% em setembro, face ao mês anterior. Xangai registou uma subida de 0,2%, Guangzhou de 0,2% e Shenzhen de 0,3%, enquanto Pequim apresentou uma descida de 0,2%.

Nas cidades de segunda linha, os preços mantiveram-se estáveis, depois de uma redução de 0,1% em agosto. Já nas cidades de terceira linha, os preços recuaram 0,2%.

Das 70 cidades analisadas, apenas 17 registaram aumentos mensais nos preços das casas novas, mais duas do que em agosto.


Pequim - Imagem magnific.com


Crise imobiliária obstáculo à recuperação do consumo interno e ao crescimento da economia chinesa

A crise imobiliária chinesa continua a afetar o investimento, as vendas e a confiança dos consumidores. Nos primeiros nove meses de 2026, o investimento no setor caiu 20,6% em termos homólogos, enquanto as vendas de imóveis recuaram 13,7% e o início de novas construções diminuiu 24,9%.

Para contrariar a desaceleração, as autoridades chinesas têm adotado medidas de estímulo à procura, incluindo a flexibilização das restrições à compra de habitação e apoios aos juros dos empréstimos hipotecários.

Apesar destas iniciativas, os analistas consideram que a recuperação será gradual e marcada por diferenças entre as grandes áreas metropolitanas, onde surgem sinais de estabilização, e as cidades mais pequenas, que continuam a enfrentar excesso de oferta e procura reduzida.

A prolongada crise imobiliária constitui um dos principais obstáculos à recuperação do consumo interno e ao crescimento da economia chinesa, devido ao peso da habitação no património das famílias e à importância do setor para as receitas das administrações locais.