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Reabilitação Urbana - Foto DI

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Carteira de encomendas da reabilitação urbana cresce 2,9%, mas atividade recua em agosto

28 de setembro de 2026

A reabilitação urbana apresentou uma evolução mista em agosto de 2026, com a carteira de encomendas a manter uma trajetória positiva, enquanto o nível de atividade registou uma ligeira quebra face ao mesmo período do ano passado, revela hoje o Barómetro da Reabilitação Urbana da AICCOPN.

De acordo com os indicadores qualitativos relativos ao setor, o Índice do Nível de Atividade recuou 0,5% em termos homólogos, enquanto o Índice da Carteira de Encomendas cresceu 2,9% face a agosto de 2025.

Os dados revelam, assim, uma situação diferenciada no setor: apesar da ligeira redução da atividade realizada, as empresas continuam a apresentar um volume de encomendas superior ao registado há um ano.

Empresas têm 9,4 meses de atividade assegurada

A evolução da carteira de encomendas reflete-se também na produção contratada.

Em agosto, as empresas indicaram ter, em média, 9,4 meses de atividade assegurada, considerando um ritmo normal de execução dos trabalhos.

O valor representa, contudo, uma redução face aos 10,8 meses registados em agosto de 2025, sinalizando uma menor duração do trabalho contratado, apesar do crescimento homólogo do índice de encomendas.

Licenciamento de reabilitação recua 14,3%

Do lado do licenciamento, a evolução continua a ser negativa.

Segundo os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), até ao final de agosto foram licenciadas 3.380 obras de reabilitação, menos 14,3% do que no período homólogo.

A quebra foi transversal aos dois principais segmentos.

Nos edifícios residenciais, o número de obras licenciadas diminuiu 12,5%, enquanto nos edifícios não residenciais a redução foi ainda mais expressiva, atingindo 19,3%.

Os números apontam para uma diminuição da atividade de licenciamento, num momento em que a carteira de encomendas das empresas do setor continua a apresentar uma evolução positiva.

Licenciamento não representa toda a atividade

Os dados devem, contudo, ser analisados com alguma cautela, uma vez que os indicadores de licenciamento não abrangem a totalidade das intervenções de reabilitação realizadas no país.

A informação do INE considera apenas as operações sujeitas a controlo prévio municipal, ficando de fora intervenções que não estão abrangidas por este tipo de procedimento.

Deste modo, a redução de 14,3% no número de obras licenciadas não significa necessariamente uma quebra de igual dimensão na totalidade da atividade efetivamente realizada no mercado da reabilitação.

Mercado mantém sinais mistos

Os indicadores de agosto deixam, assim, um retrato marcado por sinais distintos. Por um lado, a carteira de encomendas cresce 2,9%, demonstrando que a procura por trabalhos de reabilitação continua a existir. Por outro, o nível de atividade recua ligeiramente e o número de obras sujeitas a licenciamento apresenta uma redução significativa.

A diminuição da produção contratada, de 10,8 para 9,4 meses, constitui igualmente um indicador a acompanhar nos próximos meses.

A evolução do setor dependerá, entre outros fatores, da capacidade de transformar a procura existente em novas obras e da evolução dos processos de licenciamento, num mercado em que uma parte significativa das intervenções não está refletida nos dados de controlo prévio municipal.