
Lisboa - Foto DI
Avaliação bancária dispara 16,5% e crédito à habitação cresce mais de 10%
O sector da construção deu sinais de recuperação no primeiro trimestre de 2026, com o consumo de cimento a crescer 2,2% face ao mesmo período do ano anterior, atingindo as 960 mil toneladas. Os dados revelam uma inversão da trajetória de contração observada nos últimos meses e apontam para um reforço da atividade no setor.
Apesar deste desempenho positivo, a evolução do licenciamento habitacional continua a evidenciar sinais de abrandamento. Entre janeiro e março foram licenciados 4.930 projetos de construção e reabilitação habitacional, menos 10,2% do que no período homólogo de 2025.
O número de novos fogos aprovados também registou uma redução, embora menos acentuada. No total, foram licenciados 10.155 alojamentos, correspondendo a uma quebra homóloga de 4,7%.
Crédito à habitação aumenta mais de 10%
Em contraste com a diminuição do licenciamento, o financiamento à compra de casa manteve uma trajectória de crescimento.
Até ao final de Março, o montante de novo crédito à habitação, excluindo renegociações, totalizou 5.717 milhões de euros, traduzindo um aumento de 10,6% face ao mesmo período do ano passado.
A evolução do crédito ocorreu num contexto de ligeira subida das taxas de juro, que interromperam a tendência de descida registada nos meses anteriores. Em março de 2026, a taxa de juro média aplicada ao crédito à habitação fixou-se em 3,09%.
Avaliação bancária dispara 16,5%
O mercado residencial continua igualmente a registar uma forte valorização dos imóveis.
Em Março, a avaliação bancária da habitação aumentou 16,5% em termos homólogos, impulsionada sobretudo pelo segmento dos apartamentos, que registou uma subida de 21,2%.
Já as moradias apresentaram um crescimento mais moderado, embora significativo, de 12,6%.
Os dados confirmam a persistência da pressão sobre os preços da habitação, num contexto em que a procura continua a superar a oferta disponível no mercado.
Açores registam quebra no número de novos fogos
Na Região Autónoma dos Açores, a evolução do licenciamento habitacional acompanhou a tendência nacional de desaceleração.
Nos 12 meses terminados em março de 2026, foram licenciados 712 fogos em construções novas, menos 5% do que os 748 alojamentos aprovados no período homólogo anterior.
Relativamente à tipologia dos imóveis licenciados, os fogos T3 representaram a maior fatia do total, correspondendo a 36% dos novos alojamentos aprovados. Seguem-se os T2, com 32%, enquanto os apartamentos T0 e T1 representaram 19% do total. As habitações T4 ou de tipologia superior corresponderam aos restantes 13%.
A distribuição evidencia uma predominância de habitações de dimensão intermédia, reflectindo as características da procura residencial na região.
Construção mostra sinais positivos, mas oferta continua limitada
Os indicadores do primeiro trimestre revelam um cenário misto para o sector imobiliário português. Por um lado, a recuperação do consumo de cimento e o aumento do crédito à habitação apontam para uma maior dinâmica da atividade económica e do investimento residencial.
Por outro, a redução do número de projectos e fogos licenciados sugere que os constrangimentos ao aumento da oferta habitacional persistem, mantendo-se como um dos principais desafios para o mercado da habitação nos próximos anos.















