Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
Brain PowerHaierJPS Group 2024Porta da Frente
Turismo
Agente de Viagens

Agente de Viagens

Agências de viagens recuperam actividade mas com forte dependência dos mercados internacionais

3 de junho de 2026

O sector das agências de viagens em Portugal continua a apresentar sinais de recuperação e consolidação, sustentado por uma forte vocação internacional e por uma estrutura empresarial dominada por microempresas. Apesar da evolução positiva da actividade, a elevada exposição à procura externa mantém o sector sob vigilância, reflectindo-se num perfil de risco maioritariamente médio.

De acordo com os dados mais recentes da Iberinform do Crédito y Caución, as microempresas representam 84% do universo das agências de viagens nacionais, enquanto as pequenas empresas correspondem a 15% e as médias empresas têm uma expressão residual de apenas 1%. Esta configuração evidencia um sector altamente fragmentado, marcado pela especialização e pela adaptação a novos modelos de negócio num mercado cada vez mais competitivo.

A recuperação da actividade turística tem contribuído para reforçar o desempenho das empresas, que mantêm uma forte orientação para os mercados internacionais. As exportações representam mais de 46% da actividade do sector, confirmando a relevância da procura externa para a sustentabilidade dos negócios.

Ao nível financeiro, observa-se uma evolução favorável na gestão dos fluxos de caixa, destacando-se a redução do prazo médio de recebimento. Esta melhoria contribui para um maior equilíbrio da tesouraria, um fator particularmente importante numa atividade onde a gestão financeira assume um papel crítico.

Sector combina maturidade e renovação

A análise da antiguidade das empresas revela um setor simultaneamente consolidado e em renovação. As empresas com entre seis e dez anos de actividade representam 28% do total, enquanto 23% têm entre dois e cinco anos. Por outro lado, 20% das agências operam há mais de 16 anos, demonstrando a existência de operadores com forte experiência e presença consolidada no mercado.

Em paralelo, 16% das empresas têm menos de um ano de actividade, um indicador que reflecte a entrada contínua de novos operadores, impulsionada pela evolução da procura turística e pelo surgimento de novos conceitos e formatos de serviço.


Risco médio domina o sector

No que diz respeito ao perfil de risco, a maioria das empresas posiciona-se na categoria de risco médio, que concentra 58% do sector. As empresas classificadas com risco baixo representam 39%, enquanto apenas 3% se encontram em situações de risco elevado ou máximo.

Este enquadramento reflecte um equilíbrio entre a estabilidade operacional das empresas e a sua vulnerabilidade a fatores externos, como as oscilações da procura internacional, as alterações nos padrões de consumo turístico e as flutuações económicas globais.

Lisboa, Porto e Faro concentram a actividade

A distribuição geográfica das agências de viagens acompanha a relevância dos principais pólos urbanos e turísticos do país. Lisboa lidera destacadamente, concentrando 35% das empresas do sector. Seguem-se o Porto, com 14%, e Faro, com 12%.

Setúbal e Braga representam, respectivamente, 6% e 5% do tecido empresarial, enquanto os restantes 28% distribuem-se pelo restante território nacional.

Esta concentração geográfica reforça a proximidade aos principais mercados emissores de turistas e aos principais pontos de entrada em Portugal, mas evidencia também uma maior intensidade concorrencial nas regiões com maior densidade empresarial.

Num contexto de crescente mobilidade global e transformação dos hábitos de consumo, o sector das agências de viagens continua a afirmar-se como uma actividade de forte exposição internacional, onde a capacidade de adaptação, a especialização e a gestão do risco serão factores determinantes para sustentar o crescimento nos próximos anos.