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Francisco Horta e Costa, Pedro Vicente, Patrícia Barão, José Cardoso Botelho e Fernanda Pedro

Francisco Horta e Costa, Pedro Vicente, Patrícia Barão, José Cardoso Botelho e Fernanda Pedro

Investimento em imobiliário continua atractivo, mas classe média fica de fora

27 de abril de 2026

O mercado imobiliário português continua a apresentar indicadores positivos na maioria dos segmentos, mas evidencia um desequilíbrio crescente entre a valorização dos activos e a dificuldade de acesso à habitação, sobretudo para a classe média.

Esta foi a principal conclusão do debate promovido pelo Diário Imobiliário no SIL - Salão Imobiliário de Portugal, onde vários líderes do sector analisaram o momento actual do mercado e as perspectivas de investimento.

“É difícil identificar um sector onde os indicadores não sejam positivos”, afirmou Francisco Horta e Costa, Director-Geral da CBRE, destacando o desempenho transversal do imobiliário, do residencial à hotelaria, passando pelos escritórios e logística. O responsável sublinhou ainda o papel determinante do turismo, que continua a impulsionar a hotelaria e a atractividade de Portugal junto de investidores internacionais.

Classe média afastada do mercado

Apesar deste dinamismo, os intervenientes reconheceram limitações estruturais na resposta à procura habitacional. Pedro Vicente, CEO da Overseas, foi directo ao apontar o problema: “não se trata de fazer casas para ricos, mas sim de construir aquilo que o mercado permite”.

O aumento dos custos de construção, a pressão regulatória e a perda de capacidade financeira das famílias estão a afastar a classe média da compra de habitação. “Gostaríamos de construir para a classe média, mas isso deixou de ser viável”, acrescentou, descrevendo um sector condicionado entre custos elevados e exigências legais.



Diário Imobiliário no SIL - Salão Imobiliário de Portugal

Investimento estrangeiro continua a sustentar mercado

O investimento internacional mantém um peso significativo, sobretudo em segmentos como logística, residências de estudantes, hotelaria e comércio, muitas vezes nas fases iniciais dos projectos. Portugal continua a beneficiar de uma reputação consolidada como destino seguro e atractivo para o capital estrangeiro.

Para Patrícia Barão, Presidente da APEMIP e Partner da Dills, o imobiliário permanece uma opção privilegiada para investidores particulares. As tipologias mais pequenas, como T1, continuam a liderar a procura, devido à maior liquidez e potencial de rendimento. A escassez de oferta, transversal a vários segmentos, contribui também para a valorização dos activos.

Hotelaria e luxo ganham destaque

A hotelaria surge como um dos segmentos mais dinâmicos, impulsionada pelo crescimento do turismo, embora a decisão entre investir em hotelaria ou habitação dependa cada vez mais da localização e da viabilidade económica dos projetos.

No segmento alto, a procura mantém-se sólida. José Cardoso Botelho, Chairman da OneMark Properties, defendeu que o mercado deverá evoluir para produtos de maior valor, incluindo o ultraluxo, destacando o impacto positivo deste tipo de investimento na economia e no emprego.



Diário Imobiliário no SIL - Salão Imobiliário de Portugal

Entraves estruturais persistem

Apesar do interesse dos investidores, subsistem obstáculos que condicionam o desenvolvimento do sector. A complexidade legislativa, a morosidade dos processos urbanísticos e a escassez de mão de obra continuam a travar novos projectos.

A reabilitação urbana, que foi central na recuperação dos centros históricos, enfrenta agora maiores dificuldades, num contexto de fim de incentivos e aumento dos custos.

O debate deixou uma mensagem clara: o imobiliário português continua atractivo para investir, mas enfrenta um problema estrutural no acesso à habitação — um desequilíbrio reconhecido pelo sector, mas ainda sem resposta eficaz.

A sessão integrou a programação oficial do SIL – Salão Imobiliário de Portugal e contou com o patrocínio da Haier e da APAL, com comunicação assegurada pela Green Media.

Foto: Francisco Horta e Costa (CBRE), Pedro Vicente (Overseas), Patrícia Barão (APEMIP), José Cardoso Botelho (OneMark Properties) e Fernanda Pedro (Diário Imobiliário)