
DGArtes abre concurso entre três propostas para Bienal de Arquitectura de Veneza 2027
A Direcção-Geral das Artes (DGArtes) abriu concurso para seleccionar, a partir de três propostas, a equipa e o projecto que irão representar Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza 2027, dispondo de um apoio de 500 mil euros.
De acordo com o aviso publicado em Diário da República, trata-se de um “concurso limitado para seleccionar o projecto curatorial e expositivo que representará oficialmente Portugal na 20.ª Exposição Internacional de Arquitetura — La Biennale di Venezia, em 2027”.
Os três projectos que passaram a esta fase do concurso, ontem anunciados pela DGArtes, são “Analog Twins”, de Alice Clanet-Hallard, Edgar Brito, Francisco Lobo e Romea Muryn; “Mãos ao Chão”, de Joanna Alice Helm, Remígio Van Eyes Chilaule e Samuel de Brito Gonçalves; e “Matéria Viva”, de Helena Botelho.
Alice Clanet-Hallard é arquiteta e Edgar Brito é engenheiro civil, ambos fundaram Clanet&Brito, um estúdio interdisciplinar de investigação e design, sediado no Porto, enquanto Francisco Lobo é um realizador e director de fotografia português e Romea Muryń é uma arquitecta e investigadora polaca, ambos fundadores do Locument, um estúdio de investigação igualmente com sede no Porto.
Os autores do segundo projecto são a arquitecta e urbanista brasileira Joanna Alice Helm, que foi editora-chefe e directora de conteúdo do ArchDaily Brasil, com experiência na curadoria e produção de eventos internacionais de arquitectura; o arquitecto e urbanista moçambicano Remígio Van Eyes Chilaule, docente universitário responsável pelo projecto do Museu da Mafalala; e o arquitecto português Samuel de Brito Gonçalves, fundador do atelier Summary, Lda., sediado no Porto.
A proposta “Matéria viva” foi apresentada pela arquitecta Helena Botelho, directora da Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada, em Lisboa, e fundadora do atelier Helena Botelho Arquitectura.
As três propostas foram escolhidas para integrar o concurso da representação oficial portuguesa na Bienal de Veneza de 2027 por um grupo de trabalho constituído por Álvaro Domingues, Andreia Garcia, João Gomes da Silva, Mariana Pestana e Tânia Teixeira.
De acordo com a DGArtes, as propostas seleccionadas destacam-se pela qualidade conceptual e proposta expositiva, pelo percurso artístico das equipas e pela correspondência ao desafio lançado pelos curadores Wang Shu e Lu Wenyu, sob o tema “Do Architecture — For the Possibility of Coexistence Facing a Real Reality”.
O espaço expositivo
Nesta segunda fase do concurso, os projectos deverão considerar o espaço expositivo, o edifício Fondaco Marcello e a cidade de Veneza, e valorizar a arquitectura e o diálogo com outras disciplinas e áreas do conhecimento, a internacionalização da cultura portuguesa, a mediação de públicos, a investigação e experimentação artísticas, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade, acrescenta a DGArtes na sua página de Internet.
O montante global disponível é de 500 mil euros, com uma distribuição anual de 300 mil euros em 2026 e até 200 mil euros em 2027, conforme previsto da declaração anual da DGArtes, no âmbito do Programa de Apoio a Projectos.
Os candidatos das três propostas finalistas são agora convidados pela DGArtes a desenvolver e aprofundar os projectos apresentados, numa segunda fase do procedimento que culminará no dia 06 de Outubro, a que se seguirá a escolha da proposta vencedora, que representará oficialmente Portugal em Veneza.
Sob o tema "Do Architecture - For the Possibility of Coexistence Facing a Real Reality", a próxima edição da bienal decorrerá entre 08 de Maio e 21 de Novembro de 2027, com a curadoria dos arquitectos Wang Shu e Lu Wenyu, propondo uma reflexão sobre o papel da arquitectura perante os desafios contemporâneos e as possibilidades de coexistência num contexto global marcado por transformações sociais, ambientais e urbanas.
Na 19.ª Bienal de Veneza de Arquitectura, em 2025, Portugal esteve representado pelo projecto “Paraíso. Hoje”, da autoria dos arquitectos Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci, e dos curadores-adjuntos Catarina Raposo e Nuno Cera.
A Exposição Internacional de Arquitectura da Bienal de Veneza realiza-se alternadamente com a Exposição Internacional de Arte e constitui uma das mais importantes plataformas mundiais de apresentação, debate e reflexão sobre arquitectura contemporânea, reunindo arquitectos, curadores, investigadores e instituições de dezenas de países.
Lusa/DI

















