Logo Diário Imobiliário
CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
HaierJPS Group 2024Porta da Frente
Actualidade
Conflito no Médio Oriente está a fazer disparar os preços das matérias-primas

Aluminio: um produto 100% reciclável

Conflito no Médio Oriente está a fazer disparar os preços das matérias-primas

7 de abril de 2026

Após o lançamento da ofensiva Israelo‑americana contra o Irão, as perturbações no abastecimento de matérias‑primas através do Estreito de Ormuz continuam a alimentar a volatilidade dos preços. Por agora, petróleo e gás, fertilizantes, derivados petroquímicos e alumínio são os mais afectados.

"A actual escalada no Médio Oriente está a atingir fortemente os mercados de matérias‑primas. O facto de o conflito ficar ou não num impasse determinará a amplitude do choque actual na parte a jusante da cadeia de valor", afirma Simon Lacoume, economista sectorial da Coface.

Preços do petróleo: um choque duradouro?

Os recentes ataques ao complexo de gás de Ras Laffan, no Qatar, desencadearam uma nova subida dos preços da energia. O Brent, que atingiu um pico de 119 dólares na semana passada, aumentou 50% num mês.

Esta subida não é uniforme. O crude Oman DME ultrapassou os 160 dólares por barril, enquanto o WTI norte‑americano se mantém perto dos 100 dólares, refletindo um impacto muito desigual consoante a região e o produto.

À medida que o conflito se prolonga, esta subida já começa a propagar‑se ao longo da cadeia de valor. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina atingiu um máximo histórico (3,96 dólares/galão, +35% num mês). Na Ásia, o preço do gasóleo (Singapura) quase triplicou desde o início do conflito, para 256 dólares/barril, enquanto o preço global do jet fuel duplicou, segundo a IATA.

Gás natural no centro das perturbações do abastecimento

A subida também é evidente no gás natural. Na Europa, os futuros do TTF holandês dispararam 85% num mês, para 55 euros/MWh, enquanto o índice asiático (LNG Japan/Korea Marker) duplicou no mesmo período, refletindo a vulnerabilidade persistente dos mercados importadores.

Em comparação, o mercado norte‑americano parece menos exposto. Ainda assim, o Henry Hub regista forte pressão ascendente (+36% num mês), sinal de que as tensões energéticas já se propagaram globalmente.

Consequentemente, os preços de muitos compostos petroquímicos estão a subir de forma exponencial

Os países do Golfo são os principais fornecedores asiáticos de produtos petroquímicos, essenciais para toda a indústria dos plásticos. Uma tonelada de nafta atingiu 1.000 dólares em Singapura, um aumento superior a 60% desde o início do conflito. A combinação das tensões no Estreito de Ormuz com níveis historicamente baixos de stocks asiáticos (2 a 3 semanas) já fez subir os preços dos polímeros (polipropileno, polietileno, poliestireno, PVC), criando risco de contágio para toda a cadeia de valor.

Esta tendência também afeta o enxofre, insumo essencial na lixiviação de minérios de cobre e níquel. A subida de 25% num mês coloca em risco grandes produtores altamente dependentes, como o Chile, a República Democrática do Congo e a Indonésia.

Fertilizantes: preços em forte alta, apesar de um calendário agrícola "favorável"

Graças à energia doméstica barata, os países do Golfo ocupam uma posição central nestes mercados, representando cerca de 19% das exportações globais de fertilizantes azotados e 36% do volume global de ureia, enquanto a Arábia Saudita é o 4.º maior exportador de fosfatos.

No entanto, o gás natural representa até 80% dos custos de produção de fertilizantes azotados. A subida do gás traduz‑se automaticamente numa subida dos preços: a tonelada de ureia granulada (FOB Médio Oriente) aumentou 37%, para 665 dólares, desde o início do conflito.

O impacto permanece limitado devido ao calendário agrícola. Para já, apenas os produtores de cereais dos EUA parecem afetados, mas se as perturbações persistirem, Brasil, Índia e até a Europa poderão ficar mais expostos.

Os efeitos negativos podem ainda ir além dos fluxos diretos de fertilizantes — afectando países como Marrocos, maior produtor mundial de rocha fosfática, fortemente dependente do enxofre exportado pelos países do Golfo.

Alumínio: o metal mais em risco

Com o Estreito de Ormuz bloqueado, os países do Golfo — responsáveis por 8% da produção mundial de alumínio — não conseguem exportar a sua produção nem importar as matérias‑primas (bauxite e alumina) necessárias às fundições. A 16 de março, a Aluminum Bahrain (Alba), responsável por 25% da produção regional, anunciou a suspensão de 19% da sua produção, equivalente a 5% da produção total do Golfo.

Longe do conflito, a Mosal anunciou a suspensão das suas operações em Moçambique, citando custos energéticos excessivos. Neste contexto deteriorado, os preços do alumínio continuam a subir (+11,5% num mês), atingindo 3.500 dólares/tonelada (12 de março), após quase 25% de aumento num ano.