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Crédito malparado em Portugal cai para mínimos de uma década e aproxima-se da média europeia

 

Crédito malparado em Portugal cai para mínimos de uma década e aproxima-se da média europeia

16 de abril de 2026

Portugal terminou 2025 com o crédito em incumprimento em níveis historicamente baixos, consolidando uma década de forte redução do risco no sistema financeiro.

De acordo com uma análise da Prime Yield com base em dados da European Banking Authority, o stock de NPL (Non-Performing Loans) fixou-se em 4,1 mil milhões de euros no final do ano, um valor cerca de dez vezes inferior aos 42,1 mil milhões registados em 2015.

A evolução é também visível no rácio de incumprimento, que caiu de 19,6% para 2,0% no mesmo período, aproximando-se da média europeia, actualmente estimada em 1,8%. Ao longo deste período, o volume total de crédito manteve-se relativamente estável, situando-se nos 208,7 mil milhões de euros em 2025.

Só no último ano, o crédito malparado recuou 500 milhões de euros, o equivalente a uma descida de 11%, reforçando a trajectória de desalavancagem do sistema financeiro nacional.

Este desempenho contrasta com a realidade de há uma década, quando Portugal apresentava um dos níveis mais elevados de incumprimento na Europa. Em 2015, o país concentrava cerca de 4% do total de NPL europeu, apesar de representar apenas 1% do crédito activo. Em 2025, mantém essa quota no crédito, mas reduziu o peso no malparado europeu para 1%.

A redução do risco tem sido acompanhada por um contexto económico relativamente favorável. Em 2025, a economia portuguesa cresceu 1,9%, acima da média europeia, com previsões de 2,3% para 2026. O dinamismo do mercado imobiliário também contribuiu para esta evolução, com aumentos nas vendas residenciais, nos preços e no crédito à habitação, reforçando a qualidade dos colaterais.

“Ao longo da última década, Portugal protagonizou uma transformação estrutural no tratamento do crédito malparado”, afirma Francisco Virgolino, destacando o papel dos bancos, investidores e servicers, bem como o reforço do enquadramento regulatório.

Segundo o estudo “Keep an Eye on the NPL & REO Markets”, o mercado de transacções de carteiras de crédito malparado entrou numa nova fase de maior seletividade. Em 2025, o volume de vendas rondou os 2 mil milhões de euros, reflectindo uma normalização após um ano anterior marcado por operações de grande dimensão.

As carteiras colocadas no mercado tornaram-se mais pequenas — a maioria abaixo dos 200 milhões de euros — evidenciando uma maior fragmentação. Ainda assim, destacaram-se operações como o projecto Solaris e o projecto Pegasus, entre as principais transações monitorizadas.

O ano ficou também marcado por movimentos de consolidação no setor, como a aquisição da Hipoges pela Pollen Street Capital, através da Finsolutia, criando um operador com cerca de 55 mil milhões de euros em activos sob gestão em vários mercados europeus.

No plano regulatório, entrou em vigor em Dezembro o novo quadro legal para a cessão e gestão de créditos bancários, que estabelece regras para a venda de carteiras a entidades não financeiras.

Para 2026, a Prime Yield antecipa a continuidade destas tendências, com um mercado mais seletivo, maior peso do segmento secundário e adaptação progressiva ao novo enquadramento legal, num contexto de crescente consolidação e especialização do setor.

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