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apartamento - freepik

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Apartamentos demoram mais de quatro meses a vender

16 de outubro de 2026

Os preços anunciados das casas em Portugal recuperaram no terceiro trimestre de 2026, depois da descida registada entre abril e junho. Segundo o Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, o preço médio nacional de venda fixou-se nos 3.666 euros por metro quadrado, uma subida de 3,4% face ao trimestre anterior.

Apesar da recuperação dos valores pedidos pelos proprietários, os indicadores de atividade mostram um mercado mais lento, em que os compradores se revelam mais seletivos. O tempo médio de venda dos apartamentos aumentou 25%, para 132 dias, enquanto a taxa de absorção recuou ligeiramente para 1,3%.

No mercado de arrendamento, a evolução foi diferente: o preço médio nacional desceu 0,1%, para 15,48 euros por metro quadrado, mantendo-se praticamente estável.

Viseu, Castelo Branco e Viana do Castelo lideram subidas

A valorização dos preços anunciados para venda foi transversal à maioria do território nacional. As exceções foram os distritos de Lisboa, onde os valores recuaram 1,4%, e Bragança, com uma descida de 0,8%.

As maiores subidas trimestrais ocorreram em Viseu, com 12,5%, Castelo Branco, com 9,9%, e Viana do Castelo, com 9%.

Apesar da descida, Lisboa continua a ser o distrito mais caro para comprar casa, com um preço médio anunciado de 5.582 euros por metro quadrado. Seguem-se Faro, com 4.928 euros, e a Região Autónoma da Madeira, com 4.478 euros por metro quadrado.

A evolução dos preços também variou consoante o segmento do mercado. Os imóveis mais acessíveis registaram a maior subida percentual: o primeiro quartil aumentou 2%, para 265.000 euros. A mediana avançou 1,3%, para 395.000 euros, enquanto o terceiro quartil subiu 0,8%, para 650.000 euros.

Bruno Coelho, administrador do Imobiliário do Doutor Finanças, alerta que a subida dos preços anunciados deve ser interpretada com prudência, uma vez que os valores pedidos pelos proprietários nem sempre correspondem aos preços finais das transações.

O responsável sublinha ainda que as diferenças entre regiões e tipologias de habitação tornam importante ajustar as expectativas à realidade de cada mercado, evitando preços que possam dificultar ou prolongar a venda.

Oferta de casas aumenta quase 7%

Do lado da oferta, o número médio de imóveis disponíveis para venda aumentou 6,9% no terceiro trimestre, para 111.911 casas. Deste total, 69.979 eram apartamentos e 41.932 moradias.

O Observatório ressalva, contudo, que esta evolução deve ser analisada tendo em conta o alargamento das fontes de recolha de dados nos dois últimos trimestres, que permitiu uma cobertura mais abrangente do mercado.

Ao mesmo tempo, a taxa de absorção na venda — indicador que mede a percentagem de imóveis anunciados que resultam em negócio fechado no mesmo período — recuou ligeiramente para 1,3%.

Para Nuno Leal, co-CEO do Doutor Finanças, o mercado não está parado, mas está a mudar de ritmo. O responsável considera que as limitações financeiras das famílias estão a tornar as decisões de compra mais ponderadas, aumentando a seletividade dos compradores e a importância de alinhar os preços pedidos com a capacidade financeira da procura.

Rendas quase estáveis, mas com diferenças regionais

No arrendamento, o preço médio anunciado em Portugal fixou-se nos 15,48 euros por metro quadrado, uma redução trimestral de 0,1%.

A estabilidade nacional esconde, porém, diferenças expressivas entre distritos. Bragança registou a maior subida, de 19,7%, seguida de Vila Real, com 18,8%, e Viseu, com 9,9%.

Em sentido contrário, Beja apresentou a descida mais acentuada, de 14,8%. Lisboa manteve-se como o mercado de arrendamento mais caro, com uma renda média anunciada de 19,11 euros por metro quadrado, apesar de uma redução de 5,4% no trimestre.

Comprar casa continua a pesar no orçamento das famílias

A acessibilidade à habitação registou uma ligeira melhoria no terceiro trimestre. Em setembro, o Índice de Acessibilidade Habitacional para a compra de um apartamento T2 aumentou 1,8% face a julho, para 2,04, refletindo uma redução de 21 euros na prestação média estimada.

Ainda assim, o esforço financeiro continua elevado. A prestação de um T2 representa 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio, uma proporção que sobe para 65% em Faro e 70% na Madeira.

Os dados do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças traçam, assim, um retrato de um mercado em que os preços anunciados voltaram a subir, as rendas permaneceram praticamente estáveis e os apartamentos passaram a demorar mais tempo a vender.

Apesar da ligeira melhoria da acessibilidade à compra, o peso dos encargos com a habitação continua a representar um desafio significativo para as famílias portuguesas.