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Pobreza mundial aumenta pela primeira vez desde 2010 e afeta 1,2 mil milhões de pessoas
O número de pessoas em situação de pobreza multidimensional aguda aumentou pela primeira vez desde a criação do índice mundial, em 2010, atingindo 1,2 mil milhões, mais 51,5 milhões do que na avaliação anterior, segundo um relatório divulgado esta segunda-feira pelas Nações Unidas.
O estudo, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Iniciativa de Oxford sobre Pobreza e Desenvolvimento Humano (OPHI), abrange 108 países, com uma população conjunta de 6,3 mil milhões de habitantes. Destes, 18,9% vivem em situação de pobreza multidimensional aguda, caracterizada pela acumulação de carências na saúde, educação e condições de vida.
Mais de metade das pessoas afetadas são crianças com menos de 18 anos. No total, 617 milhões de menores, correspondentes a 51,5% da população em situação de pobreza multidimensional, enfrentam privações que comprometem o seu desenvolvimento. Nos países analisados, quase uma em cada três crianças vive nestas condições.
A geografia da pobreza
A pobreza concentra-se sobretudo nas zonas rurais, onde residem mais de 83% das pessoas afetadas. A África subsaariana é a região com maior número de pessoas nesta situação, cerca de 616 milhões, seguida da Ásia do Sul, com aproximadamente 393 milhões.
O administrador do PNUD, Alexander De Croo, considerou que o agravamento dos números deve constituir um sinal de alerta mundial, sublinhando que milhões de pessoas enfrentam simultaneamente fome, exclusão escolar e falta de acesso a água potável ou eletricidade.
617 milhões de menores, correspondentes a 51,5% da população em situação de pobreza multidimensional, enfrentam privações que comprometem o seu desenvolvimento
O relatório esclarece, contudo, que parte do aumento resulta do crescimento da população. Apenas 13 dos 108 países analisados dispunham de novos inquéritos para esta edição. Nos restantes 95, a atualização das estimativas demográficas contribuiu, por si só, com mais 15,8 milhões de pessoas para o total contabilizado.
Onde a pobreza recuou...
Apesar da subida global, vários países registaram progressos. No Egito, Nepal e Tajiquistão diminuíram tanto a proporção como o número absoluto de pessoas em pobreza multidimensional. Em Angola e na Zâmbia, a taxa de pobreza também recuou, embora o crescimento populacional tenha provocado um aumento do número de pessoas afetadas.
Entre os 89 países com dados comparáveis ao longo do tempo, 33 conseguiram reduzir para metade o valor do índice de pobreza multidimensional em menos de 15 anos, incluindo seis países da África subsaariana.
A China registou uma das evoluções mais rápidas, reduzindo a proporção de pessoas em pobreza multidimensional de 9,5% para 4,2% entre 2010 e 2014. O Vietname também conseguiu reduzir para metade o valor do índice num período de sete anos.
O PNUD alerta que os resultados colocam desafios ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que preveem reduzir, até 2030, pelo menos para metade a proporção de pessoas que vivem na pobreza em todas as suas dimensões.
















