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Investimento imobiliário em Portugal atinge 1.400 milhões de euros no 1.º semestre

 

Investimento imobiliário em Portugal atinge 1.400 milhões de euros no 1.º semestre

14 de outubro de 2026

A hotelaria e o retalho concentraram cerca de 68% do investimento imobiliário no país, enquanto a indústria e a logística registaram o maior crescimento homólogo, de 73%. Apesar da quebra em escritórios e habitação, a Colliers antecipa uma recuperação gradual do mercado.

O investimento imobiliário em Portugal totalizou cerca de 1.400 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um valor semelhante ao registado no período homólogo, apesar de uma conjuntura marcada pela retração do mercado europeu. Segundo o estudo Investment in Portugal – Q2 2026 Snapshot, da Colliers, o volume de transações imobiliárias na Europa diminuiu 23% no mesmo período.

Os dados apontam para uma maior concentração do capital em setores com fundamentos operacionais sólidos, com destaque para a hotelaria e a indústria e logística. A estabilidade das prime yields nos principais segmentos e mercados contribui também para um enquadramento favorável à atividade de investimento.

Hotelaria lidera com 508 milhões de euros

A hotelaria foi o segmento que captou mais investimento nos primeiros seis meses do ano, com 508 milhões de euros, equivalentes a 37% do total. O montante representa um crescimento de 25,1% face ao primeiro semestre de 2025.

Para Pedro Valente, diretor-geral da Colliers em Portugal, este desempenho reflete a atratividade do país enquanto destino turístico europeu, sustentada por níveis de ocupação saudáveis e pelo aumento do número de visitantes internacionais.

O responsável considera que o setor deverá continuar a atrair investidores nacionais e estrangeiros, mantendo-se entre os principais motores do mercado imobiliário português.

O retalho ocupou a segunda posição, com 422 milhões de euros transacionados, correspondentes a 31% do investimento total. A procura continua orientada para ativos com fluxos de caixa defensivos, baixas taxas de desocupação e arrendatários de elevada qualidade, sobretudo nas principais artérias comerciais e nos grandes centros comerciais.

Em conjunto, hotelaria e retalho concentraram cerca de 68% do investimento imobiliário realizado em Portugal no primeiro semestre.

Indústria e logística crescem 73%

A indústria e logística foi o segmento com maior crescimento homólogo, com o investimento a aumentar 73%, para 169 milhões de euros. Este valor representa 12% do total investido no mercado nacional.

De acordo com a Colliers, esta evolução é impulsionada pela escassez estrutural de oferta, pelas tendências de nearshoring — aproximação das operações produtivas aos mercados de destino — e pela expansão continuada do comércio eletrónico.

A consultora identifica potencial de crescimento tanto nas proximidades dos grandes centros urbanos como em zonas de desenvolvimento económico, incluindo Sines e Matosinhos. Os ativos de primeira qualidade na Grande Lisboa e no Grande Porto continuam a despertar interesse, ao mesmo tempo que ganham expressão operações de criação de valor e de sale-and-leaseback, que permitem às empresas vender imóveis e manter a sua utilização através de contratos de arrendamento.

Escritórios e habitação registam quebras

Em sentido contrário, o investimento em escritórios recuou 47,3% face ao primeiro semestre de 2025, para 70 milhões de euros.

Também o segmento residencial, identificado no estudo como living, apresentou uma quebra expressiva. O investimento caiu 74,2% em termos homólogos, para 88 milhões de euros.

Apesar desta redução, a Colliers mantém uma perspetiva positiva sobre os fundamentos do mercado residencial, sustentada pela escassez de habitação, pelo crescimento populacional e pela procura internacional. No segmento de escritórios, o investimento continua sobretudo concentrado em ativos de classe A, com elevados padrões de qualidade e credenciais ambientais, sociais e de governação (ESG), localizados em Lisboa e no Porto.

Os ativos alternativos, que incluem áreas como saúde, residências sénior e centros de dados, captaram 121 milhões de euros, equivalentes a 9% do investimento total.

Prime yields mantêm-se estáveis

As prime yields — taxas de rentabilidade de referência para os ativos de maior qualidade em cada mercado — permaneceram estáveis face ao trimestre anterior nos principais segmentos imobiliários.

Segundo a Colliers, esta estabilidade, conjugada com a melhoria das condições de financiamento, contribui para um contexto progressivamente mais favorável à realização de negócios.

A consultora considera que o mercado português continua a demonstrar resiliência, embora os investidores estejam mais seletivos e privilegiem ativos de elevada qualidade, com receitas previsíveis e fundamentos operacionais sólidos.

Colliers prevê recuperação gradual no segundo semestre

Para a segunda metade de 2026, a Colliers antecipa uma recuperação gradual do volume de transações nas principais classes de ativos, apoiada pela estabilização das taxas de juro, pela resiliência dos mercados de ocupação e pela continuidade do interesse dos investidores internacionais.

A hotelaria e a indústria e logística deverão continuar entre os segmentos mais relevantes, num mercado em que a qualidade dos ativos e a previsibilidade dos rendimentos assumem um peso crescente nas decisões de investimento.

«O mercado português está a atravessar uma fase de maior seletividade, e não de ausência de capital», afirma Pedro Valente, sublinhando que o investimento se concentra nos setores e ativos que oferecem maior visibilidade quanto ao desempenho operacional.

O responsável mostra-se otimista quanto à evolução do volume de transações no segundo semestre, num contexto em que Portugal conseguiu manter níveis de investimento semelhantes aos do período homólogo, apesar da contração registada no mercado europeu.

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