Monção: casa do século XV transformada em enoturismo

10 de Outubro de 2018

Uma casa do século XV, em Monção, reabre séculos depois, no Verão de 2019, como unidade de enoturismo e centro de experimentação do vinho Alvarinho, num investimento próximo dos três milhões de euros.

O projecto turístico Casa da Torre - Quinta da Bemposta, do enólogo Anselmo Mendes, começou a ganhar forma em 2016 com a compra dos 62 hectares da propriedade que, em 2008, havia arrendado para "dar largas à sua veia de experimentador" e produzir a sua casta de "eleição", o Alvarinho.

Quando adquiriu a propriedade, situada na freguesia de Moreira, junto às margens do rio Gadanha, o maior afluente do rio Minho, as silvas e mato "escondiam um tesouro abandonado durante três séculos": A Casa da Torre, do século XV, com o seu "ar medieval, a lembrar um castelo da Toscânia", guardava uma história "fabulosa" que Anselmo Mendes não quis "atirar para baixo do tapete".

"Foram precisos dois anos para reconstruir a história da casa e avançar para a sua reconstrução quase fiel. Foram recolhidos dados na Torre do Tombo, nos arquivos municipais e diocesanos", referiu, adiantando que aquela investigação permitiu perceber a razão do abandono prolongado a que tinha estado votada. Em 1702, a herdeira da casa, Maria Cláudia Noronha de Magalhães e Meneses, casou "com um homem muito rico da linha de Avis e foi viver para Lisboa, sem nunca mais voltar".

10 suites e um centro de prova Alvarinho

O projecto turístico, agora "em fase avançada", vai disponibilizar dez suites e um centro de experimentação do Alvarinho, a instalar nas três torres da casa.

Além do alojamento, com abertura prevista para Junho de 2019, a produção de Alvarinho que Anselmo Mendes começou a plantar na última década e que ocupa 45 hectares chegou, este ano, às 200 toneladas de uva.

Dentro de dois anos, estima o enólogo, e com mais cinco hectares que tenciona plantar, a produção atingirá o meio milhão de quilos de uva.

"É a maior plantação de Alvarinho do Alto Minho e do país. Não há nenhuma propriedade com 50 hectares de plantação contínua desta casta", realçou.

Para já, o Alvarinho da Quinta da Bemposta está a ser canalizado para as marcas que Anselmo Mendes tem no mercado, mas o projecto turístico prevê a criação de um novo rótulo, para um vinho "com identidade e carácter".

Por ano, produz 800 mil garrafas de vinho Alvarinho e Loureiro, exporta para 35 países e factura 3,5 milhões de euros.

Lusa/DI