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quinta-feira, 15 de abril de 2021
Opinião
Um portal só para mediadores?

Um portal só para mediadores?

22 de fevereiro de 2021

Não tenho ainda, confesso-vos, opinião final formada sobre o que hoje trago, mas, pelo que tenho lido e conversado com diversos players do imobiliário, há uma reivindicação crescente para a criação de um portal 100% profissional. Neste portal, mediadores e agências poriam, em igualdade de circunstâncias, os seus imóveis para que estes pudessem ser vistos, de forma livre e gratuita, pelo público em geral e pelo sector em particular. No fundo, dar-se as mesmas armas e oportunidades a mediadores e a proprietários, tratando igual o que deve ser considerado igual e diferente o que tem de ser entendido como diferente.

Percebe-se que há esta suposta necessidade porque, se estamos atentos ao sector, notamos que tem havido algum ruído em relação aos portais que anunciam oportunidades no imobiliário. Porque estes continuam a permitir anúncios particulares e a gestores de propriedades (onde se incluem em larga maioria pessoas e empresas sem licença AMI), normalmente a custo zero, enquanto que, ao mesmo tempo, pedem que seja paga toda e qualquer publicação que seja feita por profissionais.

Mas não só. Porque não existe fiscalização concreta, nestes mesmos portais de acesso livre para particulares, mas a pagar para o imobiliário, há pessoas que, sob a capa de serem particulares (e obviamente não sendo), divulgam activos a custo zero.

Acredito que a guerra não será tanta pelo mediador X que mete uns anúncios à borla no OLX ou no Facebook, mas mais pelos que aproveitam todas as borlas possíveis e disseminam estes mesmos imóveis nos portais ditos de referência do Imobiliário, queimando o activo e fazendo dumping na concorrência.

Aqui chegados, que caminhos a fazer? Pode-se assumir uma posição de força, como a que fez aquela marca que começa por R e acaba em X e tem EMA pelo meio, que mandou às urtigas os acordos que tinha com o Imovirtual e o OLX (confesso-vos que desconheço se rompeu com todos), e está a apostar cada vez mais no seu site próprio e nas suas plataformas. Uma opção que, em termos de tráfego e page views, acredito que já faça sombra a alguns portais da especialidade.

Embora seja uma atitude coerente da marca, tenho a noção que esta é uma posição que, por falta de recursos (ou visão estratégica), não é seguida por milhares de pequenas e médias agências que pululam no nosso mercado e que precisam dos portais como o Idealista ou afins para, a troco de um fee, promoverem os seus imóveis.

Pelo que me vão dizendo, se fosse ultrapassada a desconfiança de partilhar dados, uma solução possível poderia passar pela criação de um portal criado e gerido pela APEMIP, com regras e direitos iguais para todos - agências e consultores – e de acesso livre ao público em geral. Algo que esvaziaria a lógica de existirem anúncios profissionais nos portais imobiliários e que seria uma solução idílica, se este não fosse um sector conhecido por albergar e defender tudo e o seu contrário.

Como me dizia um reputado broker, a força dos portais imobiliários - como os Idealistas desta vida - resultam apenas da falta de união de todos e da total inação das associações que nos representam. No dia em que o sector conseguir essa união, até as pequenas agências percebem que é mais benéfico contribuírem para um portal comum e não para outros quaisquer. Sinceramente, eu não colocaria as expectativas muito elevadas: acho que mais depressa as galinhas terão dentes.

Francisco Mota Ferreira

Consultor imobiliário

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