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sábado, 25 de Maio de 2019
Opinião

O tsunami que ‘varreu’ Lisboa

22 de Janeiro de 2019

Entramos em 2019 com a perspetiva de mais um ano de crescimento no imobiliário, mesmo com a ressalva do ritmo não acompanhar a aceleração verificada nestes últimos dois anos. Apesar de Portugal e concretamente Lisboa estarem nas ‘bocas’ do mundo, enquanto destinos privilegiados e atrativos para o turismo e o imobiliário, alguns especialistas aconselham alguma precaução e ‘bom senso’ para encarar o futuro.

Muitos antevêm um abrandamento na subida dos preços das casas, acreditam que o mercado tende a normalizar e a encontrar um equilíbrio. Mas esta antevisão é quase sempre dirigida ao imobiliário de luxo ou do centro de Lisboa, resta perceber se esta situação irá estender-se ao restante mercado.

Na verdade, o boom imobiliário está restrito a uma franja da sociedade portuguesa e aos estrangeiros. Para o comum cidadão, muito pouco  mudou, pelo contrário, a compra ou arrendamento de casa, não passa de um sonho adiado, sobretudo para quem vive na região da Grande Lisboa. Para quem trabalha e habita nas cidades mais pequenas ou em zonas mais rurais, não sofre tanto este problema mas para a população da grande Lisboa, ele mantém-se.

De acordo com o INE/Pordata, em 2017, a população da Área Metropolitana de Lisboa (AML) era constituída por 2.827.514 pessoas, sendo que 1.772.353 pertenciam à faixa etária dos 15 aos 64 anos e onde a população ativa entre os 25 e 34 anos nesta área geográfica era de 281 mil jovens, ficando apenas atrás de toda a região Norte de Portugal. Existem assim, mais jovens a trabalhar na AML do que em todo o Centro do país, ou Alentejo e mesmo no Algarve.

Sabendo que Portugal é um dos países europeus com maior percentagem de trabalhadores com o salário mínimo, entre 30 a 40%, segundo o Eurofound - Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e do Trabalho e que um em cada cinco recebe este vencimento por mês - que em 2019 é de 600 euros -, não é difícil perceber que os jovens portugueses que vivem e trabalham na Grande Lisboa, vão ter à partida, poucas possibilidades de comprar ou arrendar uma casa, sobretudo se pretendem constituir família ou já a têm e para os que desejam a independência familiar é quase uma meta inatingível.

Compreende-se que construir ou rentabilizar um projeto para os promotores, é uma questão de negócio. Entre custos de construção, dos terrenos e de todo o processo, é efetivamente caro e referem que não podem baixar os valores. Naturalmente, nenhum empresário pretende ter prejuízos. E  muitos afirmam: Nem todos podem morar no Centro. Certo! Mas se os locais de trabalho são em Lisboa e mesmo arredores, para onde irão morar? A mais de 100 quilómetros de distância? Levar duas ou mais horas para chegar ao local de trabalho? E ganhar 600 euros? Não estamos no século XXI onde deviamos caminhar para promover a qualidade de vida?

Independentemente de ser extraordinário ver pulsar a cidade de turistas, esforços devem ser feitos para que não se empurrem os jovens portugueses para as periferias. Porque o problema do aumento substancial dos preços no centro de Lisboa, ocasionou um verdadeiro tsunami em todas as periferias. Os tais jovens, já nem conseguem comprar ou arrendar uma casa em redor da capital. Restam as questões. Permanecerão a morar com os pais? Onde e quando vão ter uma casa?

Fernanda Pedro

Diretora do Diário Imobiliário

*Texto publicado na edição em papel  do Diário Imobiliário no Jornal Económico. Escrito com o novo Acordo Ortográfico

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22 de Maio de 2019
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